O Budismo foi introduzido na península coreana em 372 d.C., durante o reinado de Sosurim de Goguryeo, através do monge Sundo enviado pelo rei Fu Jian do estado de Qin Anterior (China). Ao longo de mais de 1.600 anos, o Budismo moldou profundamente a arte, a arquitetura, a filosofia e os costumes coreanos, deixando um legado que persiste até hoje.

Das Três Joias à Ordem Jogye
Durante as dinastias Goguryeo, Baekje e Silla, o Budismo foi adotado como religião de Estado e motor de unificação cultural. O Tripitaka Koreana (팔만대장경, Palman Daejanggyeong), conjunto de 81.258 blocos de madeira entalhados com os ensinamentos budistas, foi produzido durante a dinastia Goryeo (século XIII) como invocação de proteção divina durante as invasões mongóis. Reconhecido pela UNESCO como Registro Memória do Mundo, é o conjunto de textos budistas mais completo e preciso do mundo.
Atualmente, a maior escola do Budismo coreano é a Ordem Jogye (조계종, Jogyejong), que preserva a tradição do Budismo Seon (禪, equivalente ao Zen japonês). A sede principal é o Templo Jogyesa (조계사), no centro de Seul, fundado em 1395 (inicialmente com o nome Gakhwangsa).
Principais Templos e Patrimônios Budistas
- Bulguksa (불국사): em Gyeongju, construído em 528 d.C. e reconstruído em 751, durante a dinastia Silla Unificada. Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1995. Representa a visão budista de uma “Terra Pura” terrena.
- Haeinsa (해인사): em Hapcheon, abriga o Tripitaka Koreana e é um Patrimônio Mundial da UNESCO.
- Tongdosa (통도사): em Yangsan, considerado o templo da “Joia da Buda”, pois não possui imagem de Buda no altar central – apenas relíquias sagradas.
- Seoraksan e Woljeongsa: templos inseridos em áreas de proteção ambiental, exemplificando a harmonia entre Budismo e natureza na Coreia.

O Programa Templestay
Uma das formas mais acessíveis de vivenciar o Budismo coreano é o programa Templestay, iniciado em 2002 durante a Copa do Mundo. O programa permite que visitantes (coreanos e estrangeiros) passem de uma noite a vários dias em templos, participando da rotina monástica: meditação Seon (chamson), cerimônias de chá (dado), confecção de lanternas de lótus, e refeições vegetarianas tradicionais (Barugongyang). Em 2024, cerca de 140 templos participavam do programa, recebendo visitantes de mais de 205 países.

Aniversário de Buda e a Festa das Lanternas
O Bucheonim Osinnal (부처님 오신 날), Aniversário de Buda, é celebrado no quarto mês do calendário lunar (geralmente em maio). Em Seul, o Yeondeunghoe (연등회, Festival das Lanternas de Lótus) transforma as ruas do centro em um rio de luz. O festival foi inscrito na Lista do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO em 2020.
Fontes
JOGYE ORDER OF KOREAN BUDDHISM. Korean Buddhism and Jogye Order. Jokb.org. Disponível em: <https://www.jokb.org/bbs/content.php?co_id=103010>. Acesso em: abr. 2026.
KOREA.NET. Buddhism in Korea. Disponível em: <https://www.korea.net/AboutKorea/Korean-Life/Religion>. Acesso em: abr. 2026.
KOREAN TEMPLE CULTURAL PROJECT. Templestay. Disponível em: < https://www.templestay.com/en/main/view.do>. Acesso em: abr. 2026.
UNESCO. Haeinsa Temple Janggyeong Panjeon, the Depositories for the Tripitaka Koreana Woodblocks. Disponível em: <https://whc.unesco.org/en/list/737>. Acesso em: abr. 2026.
UNESCO. Yeondeunghoe, Lantern Lighting Festival in the Republic of Korea. Disponível em: <https://ich.unesco.org/en/RL/yeondeunghoe-lantern-lighting-festival-in-the-republic-of-korea-01548>. Acesso em: abr. 2026.
문화재청. CULTURAL HERITAGE ADMINISTRATION. Disponível em: <https://www.cha.go.kr/cop/bbs/selectBoardArticle.do>. Acesso em: abr. 2026.
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