Apesar da repressão durante o período de ocupação japonesa na Coreia (1910–1945), a resistência coreana foi persistente e organizada em várias frentes. A resistência coreana contra o colonialismo japonês não foi apenas uma luta por território, mas uma batalha pela sobrevivência de uma cultura e de um povo.
O Movimento Primeiro de Março (Samiljeol) de 1919 foi um dos atos de resistência mais significativos contra a ocupação japonesa. Iniciado com a leitura da Declaração de Independência no Parque Tapgol em Seul, o movimento pacífico se espalhou por todo o país.
Embora brutalmente reprimido pelas forças coloniais, o Samiljeol foi um catalisador fundamental: uniu o povo coreano, fortaleceu o nacionalismo e levou à formação do Governo Provisório da República da Coreia em Xangai. O dia 1º de março é hoje um feriado nacional, celebrando o espírito de resistência e a luta pela soberania.
Abaixo, organizamos os principais eixos dessa resistência.
1. A Resistência Clandestina e as Sociedades Secretas (Década de 1910)
Apesar da repressão brutal, os coreanos mantiveram viva a chama da liberdade através de organizações secretas:
1.1. Gwangbok-hoe (Associação de Restauração): uma das mais influentes, focada em ações diretas.
1.2. Shinmin-hoe (Sociedade dos Novos Cidadãos): estabeleceu a estratégia de criar bases militares no exterior (Manchúria e Sibéria).
1.3. Bases no Exterior: Destaca-se a fundação da Academia Militar Shin-heung (1911), que formou oficiais para a futura guerra armada.
2. O Movimento 1º de Março de 1919
O maior levante popular pacífico da história coreana foi inspirado pelo princípio da autodeterminação: milhões foram às ruas gritando “Manse!” (Viva a independência!).
Embora reprimido com massacres (7.500 mortos), forçou o Japão a mudar para uma “Política Cultural” (uma fachada menos violenta) e inspirou movimentos como o 5 de Maio na China.
2.1. A Revolta: 33 representantes nacionais assinaram a Declaração de Independência. Cerca de 2 milhões de coreanos foram às ruas gritando “Manse!” (Vida longa à independência!).
2.2. A Reação Japonesa: O Japão respondeu com extrema violência, incluindo o infame Massacre de Jeam-ri, onde civis foram queimados vivos dentro de uma igreja.
2.3. Significado: Embora não tenha conquistado a liberdade imediata, o movimento forçou o Japão a abrandar sua repressão militar e inspirou movimentos de libertação na China (Movimento 5 de Maio), Índia e Egito.

3. O Governo Provisório e a Luta Armada (Década de 1920)
Após 1919, a resistência tornou-se mais estruturada:
3.1. Governo Provisório da República da Coreia (KPG): Unificado em Xangai em 1919, estabeleceu a primeira república democrática coreana.
3.2. Grandes Vitórias Militares:
- Batalha de Bongodong (1920): Liderada por Hong Beom-do.
- Batalha de Cheongsanri (1920): Liderada por Kim Jwa-jin, considerada a maior vitória do exército independente contra as tropas regulares japonesas.
- Ações Diretas (Yeoldan): O grupo liderado por Kim Won-bong realizou atentados contra delegacias e bancos coloniais, levando o pânico às autoridades japonesas.
4. Resistência Cultural e Mobilização Popular
Enquanto o exército lutava no exterior, internamente os coreanos lutavam para não perder sua língua:
4.1. Preservação da Língua: A Sociedade da Língua Coreana trabalhou clandestinamente para criar o primeiro dicionário e padronizar o Hangul.
4.2. Movimentos Sociais: Greves de trabalhadores em Wonsan e protestos estudantis em Gwangju (1929) mostraram que a resistência era multissetorial.
5. A Reta Final e a Libertação (Décadas de 1930 e 1940)
Com o início da Segunda Guerra Mundial, o Japão intensificou a exploração sob a política de “Aniquilação Étnica”:
5.1. Exército de Libertação da Coreia (1940): Formado em Chongqing, lutou ao lado dos Aliados (Reino Unido e EUA) na Ásia.
5.2. Preparação para o “Projeto Nacional”: O Governo Provisório treinou tropas de paraquedistas com o OSS americano para retomar a Coreia.
5.3. A Vitória: Em 15 de agosto de 1945, com a rendição do Japão, a Coreia finalmente alcançou a libertação.
Filmes que retratam essas lutas
Harbin (2024)
Ambientado no início da década de 1900, o filme gira em torno de um grupo de corajosos ativistas da independência coreana, que decide lançar um ousado ataque em Harbin, a capital da província mais ao norte da China, Heilongjiang. Determinados a libertar sua nação da opressão japonesa, o grupo enfrenta perigos em uma tentativa audaciosa de garantir a independência da Coreia.

MAL·MO·E the Secret Mission (2019)
Dois homens trabalham juntos para publicar um dicionário coreano. Isso foi em um momento em que a Coreia foi ocupada pelo Japão e eles não podiam falar coreano.

Fontes:
- ADOROCINEMA. Harbin. Disponível em: < https://www.adorocinema.com/filmes/filme-1000005599/>.
- ENCYCLOPEDIA OF KOREAN CULTURE. 일제강점기(日帝强占期). encykorea.aks.ac.kr. Disponível em: <https://encykorea.aks.ac.kr/Article/E0047318>.
- IMDB. MAL·MO·E the Secret Mission. IMDb. Disponível em: <https://www.imdb.com/pt/title/tt9602258/>
- KOREA.NET. Independence Movement: Korea.net: The official website of the Republic of Korea. www.korea.net. Disponível em: https://www.korea.net/AboutKorea/History/Independence-Movement
- 더팩트. 안중근 된 현빈…“하얼빈”, 인터내셔널 포스터 공개. Daum | 더팩트. Disponível em: <https://v.daum.net/v/yb5V0PRuzU?f=p>

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