Categoria: História

  • Kim Koo (ou Kim Gu)

    Kim Koo (ou Kim Gu)

    Kim Koo ou Kim Gu (1876–1949), conhecido também como Baekbeom (백범), foi um líder central na luta pela independência da Coreia. Ele serviu como Presidente do Governo Provisório da República da Coreia na China, liderando a resistência diplomática e militar no exílio.

    Fonte: Kim Koo Museum & Library (2026)

    1. Juventude e o Despertar para Luta

    Nascido em uma família humilde e de linhagem aristocrática decaída, Kim Koo teve uma juventude agitada, marcada pela luta contra as injustiças sociais:

    • Movimento Donghak (1894): aos 18 anos, tornou-se líder no movimento camponês Donghak, lutando por igualdade social e contra a corrupção.
    • Vingança pela Rainha (1896): Após o assassinato da Rainha Myeongseong por agentes japoneses, Kim Koo matou um oficial japonês (Tsuchida) como represália. Foi condenado à morte, mas salvo por uma intervenção de última hora do Imperador Gojong.
    • Fuga e Espiritualidade: Após fugir da prisão em 1898, viveu brevemente como monge budista (1989) antes de se converter ao cristianismo (1903) e dedicar-se à educação rural.

    2. O Líder do Governo Provisório no Exílio

    Com a ocupação formal japonesa em 1910 e o Movimento de 1º de Março de 1919, Kim Koo exilou-se na China, onde dedicou 26 anos de sua vida ao Governo Provisório da República da Coreia (KPG).

    • O Corpo Patriótico Coreano (1931): Kim organizou este grupo de elite para realizar ataques estratégicos contra líderes japoneses. Sob seu comando, heróis como Yun Bong-gil e Yi Bong-chang realizaram atentados que chamaram a atenção do mundo para a causa coreana.
    • Exército de Libertação da Coreia (1940): Em Chongqing, ele fundou a força armada oficial da Coreia, preparando tropas para retomar a península em cooperação com as forças aliadas (EUA/OSS).

    3. O Retorno e a Luta pela Unificação

    Em 1945, com a rendição do Japão, Kim Koo retornou à Coreia, mas encontrou um país prestes a ser dividido pela Guerra Fria.

    • Oposição à Tutela: Ele lutou contra o plano das potências (EUA e URSS) de colocar a Coreia sob tutela internacional, defendendo a independência imediata e soberana.
    • O Sonho da Unificação: Kim Koo opôs-se veementemente à realização de eleições apenas no Sul, pois sabia que isso selaria a divisão definitiva. Em 1948, ele chegou a cruzar o paralelo 38 para negociar pessoalmente com líderes do Norte em busca de um governo unificado.

    4. O Assassinato e o Legado

    Em 26 de junho de 1949, Kim Koo foi assassinado em sua residência pelo segundo-tenente Ahn Doo-hee. Embora o motivo exato ainda seja debatido, muitos acreditam que foi um crime político orquestrado por aqueles que viam sua liderança pela unificação como uma ameaça.

    “Meu Desejo” (나의 소원): Em seu famoso ensaio, Kim Koo escreveu que seu único desejo era a independência da Coreia. Mais do que poder militar, ele desejava que a Coreia fosse uma nação de alta cultura, capaz de levar paz e felicidade ao mundo.

    Link para Museu Kim Koo: http://www.kimkoo.or.kr/_eng/sub/sub01_01.asp

    Fontes:


  • Movimento para independência da Coreia (Samiljeol: Movimento 1º de Março)

    Movimento para independência da Coreia (Samiljeol: Movimento 1º de Março)

    Apesar da repressão durante o período de ocupação japonesa na Coreia (1910–1945), a resistência coreana foi persistente e organizada em várias frentes. A resistência coreana contra o colonialismo japonês não foi apenas uma luta por território, mas uma batalha pela sobrevivência de uma cultura e de um povo.

    O Movimento Primeiro de Março (Samiljeol) de 1919 foi um dos atos de resistência mais significativos contra a ocupação japonesa. Iniciado com a leitura da Declaração de Independência no Parque Tapgol em Seul, o movimento pacífico se espalhou por todo o país.

    Embora brutalmente reprimido pelas forças coloniais, o Samiljeol foi um catalisador fundamental: uniu o povo coreano, fortaleceu o nacionalismo e levou à formação do Governo Provisório da República da Coreia em Xangai. O dia 1º de março é hoje um feriado nacional, celebrando o espírito de resistência e a luta pela soberania.

    Abaixo, organizamos os principais eixos dessa resistência.

    1. A Resistência Clandestina e as Sociedades Secretas (Década de 1910)

    Apesar da repressão brutal, os coreanos mantiveram viva a chama da liberdade através de organizações secretas:

    1.1. Gwangbok-hoe (Associação de Restauração): uma das mais influentes, focada em ações diretas.

    1.2. Shinmin-hoe (Sociedade dos Novos Cidadãos): estabeleceu a estratégia de criar bases militares no exterior (Manchúria e Sibéria).

    1.3. Bases no Exterior: Destaca-se a fundação da Academia Militar Shin-heung (1911), que formou oficiais para a futura guerra armada.

    2. O Movimento 1º de Março de 1919

    O maior levante popular pacífico da história coreana foi inspirado pelo princípio da autodeterminação: milhões foram às ruas gritando “Manse!” (Viva a independência!).

    Embora reprimido com massacres (7.500 mortos), forçou o Japão a mudar para uma “Política Cultural” (uma fachada menos violenta) e inspirou movimentos como o 5 de Maio na China.

    2.1. A Revolta: 33 representantes nacionais assinaram a Declaração de Independência. Cerca de 2 milhões de coreanos foram às ruas gritando “Manse!” (Vida longa à independência!).

    2.2. A Reação Japonesa: O Japão respondeu com extrema violência, incluindo o infame Massacre de Jeam-ri, onde civis foram queimados vivos dentro de uma igreja.

    2.3. Significado: Embora não tenha conquistado a liberdade imediata, o movimento forçou o Japão a abrandar sua repressão militar e inspirou movimentos de libertação na China (Movimento 5 de Maio), Índia e Egito.

    Fonte: Korea.net (2026) – Governo Provisório da República da Coreia em Chongqing, na China

    3. O Governo Provisório e a Luta Armada (Década de 1920)

    Após 1919, a resistência tornou-se mais estruturada:

    3.1. Governo Provisório da República da Coreia (KPG): Unificado em Xangai em 1919, estabeleceu a primeira república democrática coreana.

    3.2. Grandes Vitórias Militares:

    • Batalha de Bongodong (1920): Liderada por Hong Beom-do.
    • Batalha de Cheongsanri (1920): Liderada por Kim Jwa-jin, considerada a maior vitória do exército independente contra as tropas regulares japonesas.
    • Ações Diretas (Yeoldan): O grupo liderado por Kim Won-bong realizou atentados contra delegacias e bancos coloniais, levando o pânico às autoridades japonesas.

    4. Resistência Cultural e Mobilização Popular

    Enquanto o exército lutava no exterior, internamente os coreanos lutavam para não perder sua língua:

    4.1. Preservação da Língua: A Sociedade da Língua Coreana trabalhou clandestinamente para criar o primeiro dicionário e padronizar o Hangul.

    4.2. Movimentos Sociais: Greves de trabalhadores em Wonsan e protestos estudantis em Gwangju (1929) mostraram que a resistência era multissetorial.

    5. A Reta Final e a Libertação (Décadas de 1930 e 1940)

    Com o início da Segunda Guerra Mundial, o Japão intensificou a exploração sob a política de “Aniquilação Étnica”:

    5.1. Exército de Libertação da Coreia (1940): Formado em Chongqing, lutou ao lado dos Aliados (Reino Unido e EUA) na Ásia.

    5.2. Preparação para o “Projeto Nacional”: O Governo Provisório treinou tropas de paraquedistas com o OSS americano para retomar a Coreia.

    5.3. A Vitória: Em 15 de agosto de 1945, com a rendição do Japão, a Coreia finalmente alcançou a libertação.

    Filmes que retratam essas lutas

    Harbin (2024)

    Ambientado no início da década de 1900, o filme gira em torno de um grupo de corajosos ativistas da independência coreana, que decide lançar um ousado ataque em Harbin, a capital da província mais ao norte da China, Heilongjiang. Determinados a libertar sua nação da opressão japonesa, o grupo enfrenta perigos em uma tentativa audaciosa de garantir a independência da Coreia.

    Fonte: Daum (2024)

    MAL·MO·E the Secret Mission (2019)

    Dois homens trabalham juntos para publicar um dicionário coreano. Isso foi em um momento em que a Coreia foi ocupada pelo Japão e eles não podiam falar coreano.

    Fonte: IMDb (2019)

    Fontes:

    • ADOROCINEMA. Harbin. Disponível em: < https://www.adorocinema.com/filmes/filme-1000005599/>.
    • ENCYCLOPEDIA OF KOREAN CULTURE. 일제강점기(日帝强占期). encykorea.aks.ac.kr. Disponível em: <https://encykorea.aks.ac.kr/Article/E0047318>.
    • IMDB. MAL·MO·E the Secret Mission. IMDb. Disponível em: <https://www.imdb.com/pt/title/tt9602258/>
    • KOREA.NET. Independence Movement: Korea.net: The official website of the Republic of Korea. www.korea.net. Disponível em: https://www.korea.net/AboutKorea/History/Independence-Movement
    • 더팩트. 안중근 된 현빈…“하얼빈”, 인터내셔널 포스터 공개. Daum | 더팩트. Disponível em: <https://v.daum.net/v/yb5V0PRuzU?f=p>
  • Ocupação japonesa na Coreia

    Ocupação japonesa na Coreia

    O período de ocupação japonesa na Coreia (1910–1945) é uma das eras mais traumáticas e transformadoras da história moderna da península. Após a anexação forçada em 1910, o Japão implementou políticas de exploração econômica e assimilação cultural forçada. Diferente do colonialismo europeu, focado na exploração econômica, o imperialismo japonês buscou o extermínio da identidade nacional coreana.

    O Fim da Soberania (1876–1910)

    A abertura forçada da Coreia seguiu o modelo das potências imperialistas da época:

    1. Tratado de Ganghwa (1876): um tratado desigual imposto pelo Japão após ameaça militar (incidente do navio Unyo Maru).

    2. Império Coreano (1897): uma tentativa tardia de modernização e reafirmação de soberania sob o nome Daehan Jeguk.

    3. Anexação (1910): após vencer guerras contra a China e a Rússia, o Japão formalizou a ocupação da Coreia em agosto de 1910.

      Características da Ocupação japonesa: “A Política de Extermínio”

      O Japão implementou um regime de domínio direto e absoluto, caracterizado por dois eixos:

      A. Repressão Militar e Violência

      A.1. Polícia Militar (Kempeitai): um sistema onde soldados exerciam funções policiais sobre civis.

      A.2. Sistema de Castigos Corporais: uso de chicotes e tortura para crimes leves e controle social, visando instaurar o terror.

      A.3. Desarmamento Total: proibição estrita de posse de armas por coreanos para evitar resistências.

      B. Extermínio Cultural (Assimilação Forçada)

      B.1. Proibição da Língua: o coreano foi banido das escolas e da vida pública, substituído pelo japonês.

      B.2. Mudança de Nomes (Sōshi-kaimei): em 1939, os coreanos foram obrigados a adotar sobrenomes e nomes japoneses.

      B.3. Educação Colonial: focada em formar “súditos leais” ao imperador, distorcendo a história para pregar uma suposta inferioridade coreana.

      C. Exploração Econômica e Humana

      C.1. Levantamento Cadastral: o Japão expropriou cerca de 62% do território coreano, transformando camponeses proprietários em arrendatários pobres.

      C.2. Exploração de Recursos: alimentos (arroz), minérios e patrimônio cultural foram levados em massa para o Japão.

      C.3. Mobilização Forçada (Segunda Guerra Mundial):

      1. Trabalho Escravo: 1,46 milhão de coreanos enviados para minas e fábricas.
      2. “Mulheres de Conforto”: centenas de milhares de jovens coreanas escravizadas sexualmente para servir ao exército japonês.

      Fonte: KBS News (2024) – Alunos da Escola Pública de Agricultura e Silvicultura de Iri realizando um treino simulado de recaptura de trincheiras em meados da década de 1930

      O período viu uma rápida industrialização voltada para o esforço de guerra japonês. Centenas de milhares de coreanos foram forçados a trabalhos análogos à escravidão, e muitas mulheres foram submetidas à escravidão sexual (“mulheres de conforto”). A rendição do Japão em 1945 marcou a libertação (Gwangbokjeol), mas foi seguida pela divisão da península, moldando o cenário geopolítico atual.

      Séries que retratam essa época

      1. Mr. Sunshine – Um raio de sol (2018)

      Um garoto que acabou nos Estados Unidos, após o incidente de Shinmiyangyo (신미양요) em 1871, volta à Coreia como soldado americano e se apaixona por uma mulher nobre, na época de Ocupação japonesa na Coreia.

      Fonte: IMDb (2018)

      2. Pachinko (2022-2024)

      Baseado no best-seller do New York Times, narra as esperanças e sonhos de uma família de imigrantes coreanos ao longo de quatro gerações enquanto deixam sua terra natal em uma busca para sobreviver e prosperar.

      Fonte: IMDb (2024)

      Fontes:

      • ENCYCLOPEDIA OF KOREAN CULTURE. 일제강점기(日帝强占期). encykorea.aks.ac.kr. Disponível em: <https://encykorea.aks.ac.kr/Article/E0047318>.
      • IMDB. Mr. Sunshine. IMDb. Disponível em: <https://www.imdb.com/pt/title/tt7094780/?ref_=mv_close>
      • IMDB. Pachinko. IMDb. Disponível em: <https://www.imdb.com/pt/title/tt8888462/>
      • KBS NEWS. 사진 속에 남은 일제 강점기, 민초의 삶. KBS 뉴스. Disponível em: <https://news.kbs.co.kr/news/pc/view/view.do?ncd=8035148>
      • KOREA.NET. The Fall of Joseon:  Imperial Japan’s Annexation of Korea: Korea.net: The official website of the Republic of Korea. Korea.net. Disponível em: <https://www.korea.net/AboutKorea/History/The-Fall-of-Joseon>
      • KOREA.NET. Independence Movement: Korea.net: The official website of the Republic of Korea. www.korea.net. Disponível em: <https://www.korea.net/AboutKorea/History/Independence-Movement>

    1. Yi Sun-sin

      Yi Sun-sin

      O Almirante Yi Sun-sin (1545–1598) é amplamente reconhecido como o maior herói militar da Coreia. Sua liderança durante a Guerra Imjin (1592–1598) contra a invasão japonesa foi decisiva para a sobrevivência da dinastia Joseon. Sua vida foi marcada por vitórias impossíveis no mar e por grandes injustiças políticas em terra.

      Fonte: NRC (2020)

      Inovação e Estratégia: O Navio Tartaruga

      Antes mesmo da invasão japonesa (Guerra Imjin), Yi Sun-sin previu o conflito e preparou a marinha. Ele aperfeiçoou o Geobukseon (Navio Tartaruga), o primeiro navio encouraçado do mundo, projetado para romper as formações inimigas com canhões e um teto coberto de espinhos para impedir abordagens. Suas táticas exploravam sistematicamente o conhecimento das correntes marítimas e da geografia local para anular a vantagem numérica japonesa.

      Fonte: hcs.khs.go.kr (2026)

      Principais Batalhas e o Triunfo de Myeongnyang

      • Batalha de Hansando (1592): utilizou a famosa formação “Asa de Grou” para cercar e destruir a frota japonesa.
      • Batalha de Myeongnyang (1597): conhecido como seu maior feito, com apenas 13 navios, ele enfrentou uma frota de 133 navios japoneses. Usando as correntes marítimas traiçoeiras a seu favor, ele obteve uma vitória devastadora que salvou a Coreia da derrota total.

      Queda e Redenção

      Vítima de intrigas na corte e calúnias de rivais (como Won Gyun), Yi Sun-sin foi preso e torturado. No entanto, quando a marinha coreana foi quase totalmente aniquilada sob o comando de seu sucessor, o Rei Seonjo foi forçado a reintegrá-lo. Sua resposta ao rei tornou-se lendária: “Ainda restam doze navios ao seu súdito”.

      O Sacrifício Final em Noryang

      Em sua última batalha, em 1598, Yi Sun-sin foi atingido por uma bala. Em seu leito de morte, ordenou: “A batalha está no auge. Não anunciem a minha morte”, para não desestimular suas tropas. Os soldados só souberam de sua partida após a vitória final.

      Fontes:

      • ENCYCLOPEDIA OF KOREAN CULTURE. 이순신(李舜臣). encykorea.aks.ac.kr. Disponível em: <https://encykorea.aks.ac.kr/Article/E0044900>.
      • HCS. 국가유산청 현충사 관리소. Khs.go.kr. Disponível em: <https://hcs.khs.go.kr/html/HtmlPage.do?pg=/n_hcs/library/library0301_test_3.jsp&mn=HCS_03_03_01&num=0304&articleNum=13&pageNum=1>
      • NRC 경제인문사회연구회. 이순신의 혁신적 사고, 국가 위기를 극복하다. NRC 경제인문사회연구회 – NRC 공식 홈페이지, NRC. Disponível em: https://nrc.re.kr/board.es?mid=a10301000000&bid=0008&act=view&list_no=170019&otp_id=.

    2. Shin Saimdang

      Shin Saimdang

      Shin Saimdang (1504–1551) é a figura feminina mais respeitada da dinastia Joseon. Embora seja frequentemente celebrada como o ideal de “mãe sábia e esposa dedicada”(현모양처 Hyeon-mo-yang-cheo), ela foi, acima de tudo, uma artista brilhante e uma mulher que buscou independência individual em uma sociedade rigidamente confucionista.

      Vida e Educação

      Nascida em Gangneung, Shin teve a sorte de crescer em um ambiente liberal, de uma família de yangban (nobres). Ao contrário da maioria das mulheres da época, que eram forçadas a viver com a família do marido, ela e sua mãe puderam permanecer na casa de seus próprios pais por longos períodos. Isso permitiu que Shin recebesse educação em poesia, caligrafia e pintura, desenvolvendo um talento que já era evidente aos sete anos de idade.

      Fonte: Encyclopedia of Korean Culture (2026) – Retrato de Shin Saimdang por Kim Eun-ho

      Realizações Artísticas

      Shin Saimdang é famosa por suas pinturas realistas da natureza, especialmente o estilo Cho-chung-do (초충도 insetos e flores). Dizem que suas pinturas eram tão vivas que galinhas tentavam bicar os insetos desenhados no papel, acreditando serem reais. Sua caligrafia era descrita como “nobre e vigorosa”, rompendo com a ideia de que obras femininas deveriam ser apenas delicadas.

      Fonte: Encyclopedia of Korean Culture (2026) – Cho-chung-do (초충도 insetos e flores).

      Uma Mulher à Frente de seu Tempo

      Ela não se limitou ao papel doméstico. Shin foi uma conselheira política para seu marido, Yi Wonsu, ajudando-o a evitar crises políticas e incentivando sua carreira. Como mãe, ela educou o renomado filósofo Yi I (Yulgok), que aparece na nota de 5.000 KRW, enquanto a própria Shin Saimdang ilustra a nota de 50.000 KRW — a de maior valor na Coreia do Sul.

      Fonte: Money Today (2009)

      Legado na Cultura Pop

      Sua vida inspirou diversos dramas coreanos (K-dramas), como “Saimdang, Memoir of Colors” (ou O Diário da Luz). A série mistura fatos históricos com ficção, mostrando a conexão de sua arte com o presente e destacando locais turísticos como a Casa Ojukheon, em Gangneung, local que hoje é um ponto de peregrinação cultural.

      Fonte: Korea.net (2026) – As estrelas de televisão Lee Young-ae (à esquerda) e Song Seung-heon interpretam os papéis principais na série de televisão “Saimdang, O Diário da Luz” (ou “Saimdang, Memórias das Cores”)

      Fontes:

      • ENCYCLOPEDIA OF KOREAN CULTURE. 신사임당(申師任堂). encykorea.aks.ac.kr. Disponível em: <https://encykorea.aks.ac.kr/Article/E0033037>
      • ENCYCLOPEDIA OF KOREAN CULTURE. 신사임당 초충도병(申師任堂 草蟲圖屛). Aks.ac.kr. Disponível em: <https://encykorea.aks.ac.kr/Article/E0033040>
      • KOREA.NET. “Saimdang, Light’s Diary,” though fictional, pursues truth : Korea.net: The official website of the Republic of Korea. Korea.net. Disponível em: <https://www.korea.net/NewsFocus/Culture/view?articleId=143989>
      • MONEY TODAY. 5만원권 공개 논란 “5천원권과 헷갈려~”. 머니투데이. Disponível em: <https://www.mt.co.kr/economy/2009/02/25/2009022517202321814>
      • PRIME. Primevideo.com. Disponível em: https://www.primevideo.com/-/pt/detail/Saimdang-Memoir-of-Colors/0MMM1WR424M5WY98ZXS71RSSTN

    3. Resumo: Três Reinos, Goryeo e Joseon

      Resumo: Três Reinos, Goryeo e Joseon

      A história da Coreia é marcada por três grandes períodos que moldaram a identidade cultural, política e social da nação: os Três Reinos, a dinastia Goryeo e a dinastia Joseon. Cada um desses períodos contribuiu de forma única para o desenvolvimento do que hoje conhecemos como Coreia, deixando legados que persistem na cultura, nas instituições e na memória coletiva do povo coreano.

      Os Três Reinos (57 a.C. – 668 d.C.)

      O período dos Três Reinos consistiu em três estados principais que competiam pelo controle da península coreana: Goguryeo, Baekje e Silla. Este foi um período formativo da identidade coreana, que estabeleceu as bases do Estado coreano, e viu a introdução do budismo como força cultural e religiosa dominante.

      Fonte: Korea.net (2026) - Os Três Reinos (57 a.C. – 668 d.C.)
      Fonte: Korea.net (2026) – Os Três Reinos (57 a.C. – 668 d.C.)

      Goguryeo

      Localizado ao norte, conhecido por seu poder militar e fronteiras estendidas até a Manchúria, foi o primeiro a se firmar como país soberano. Começou a expandir seu território no final do século I e fortaleceu um sistema de governo centralizado no rei no final do século II. No início do século IV, o rei Micheon de Goguryeo expulsou as facções leais à dinastia Han da Península Coreana. Em 372 (segundo ano do reinado do rei Sosurim), Goguryeo adotou o budismo e promulgou um código de leis, em um esforço para criar um sistema de governo adequado. O reino também fundou o Taehak, um instituto educacional confucionista. O rei Gwanggaeto, o Grande, expandiu o território para a Manchúria, capturou fortalezas de Baekje no sul e ajudou Silla a superar uma crise ao repelir invasores wakō.

      Fonte: Korea.net (2026) - Pintura de cenas de caça na Tumba dos Dançarinos (Goguryeo, século V)
      Fonte: Korea.net (2026) – Pintura de cenas de caça na Tumba dos Dançarinos (Goguryeo, século V)

      Baekje

      Localizado ao sudoeste, Baekje foi fundado em 18 a.C. por povos que viviam ao longo do rio Han, originários de reinos como Buyeo e Goguryeo, além de migrantes de outras regiões. Em meados do século III, no reinado do rei Goi, Baekje assumiu o controle total das áreas ao longo do rio Han e estabeleceu um sistema sólido de governança, incorporando a cultura avançada da China. Em meados do século IV, o rei Geunchogo ocupou Mahan e expandiu o território até a costa sul da atual Jeollanam-do. Ao norte, Baekje enfrentou Goguryeo pela atual província de Hwanghae e exerceu controle sobre o reino Gaya, no sul. Na época, seu território incluía as atuais províncias de Gyeonggi, Chungcheong, Jeolla, Gangwon e Hwanghae.

      Fonte: Baekje Cultural Land (2026)
      Fonte: Baekje Cultural Land (2026)

      Silla

      Inicialmente o menor reino e situado na região sudeste da península, emergiu como o poder unificador em 668 d.C., estabelecendo padrões que influenciariam as dinastias futuras. Adotou o Budismo e organizou o Hwarangdo (um corpo de elite de jovens guerreiros).

      Fonte: Korea.net (2026) - Sino Sagrado da Grande Rainha Seongdeok (Silla Unificada, século VIII)
      Fonte: Korea.net (2026) – Sino Sagrado da Grande Rainha Seongdeok (Silla Unificada, século VIII)

      A Unificação dos Três Reinos

      Em 676, após derrotar os reinos rivais e expulsar as forças da dinastia Tang (China), Silla unificou a península, iniciando um período de florescimento cultural e econômico conhecido como “Silla Unificada”.

      O reino de Silla Unificada restabeleceu relações com a China (Dinastia Tang), promovendo um vigoroso intercâmbio entre comerciantes, monges e estudiosos confucionistas. Silla exportava ginseng e sofisticados artesanatos em ouro e prata, enquanto importava livros, cerâmica, tecidos de seda e vestuário. Através da Rota da Seda e de rotas marítimas, mercadorias e mercadores da Ásia Central também chegaram à península.

      Paralelamente, no norte, sobreviventes de Goguryeo resistiram ao domínio chinês e, em 698, Dae Joyeong, junto ao povo Mohe, fundou o reino de Balhae. Este novo estado recuperou grande parte do antigo território de Goguryeo, chegando a controlar o norte da Manchúria. Este reino sucumbiu em 926, após a erupção do vulcão da montanha Baekdusan e a invasão dos Khitan.

      Dinastia Goryeo (918–1392)

      No final do século VIII, Silla enfraqueceu-se devido a lutas internas pelo poder entre a nobreza. No século X, líderes locais poderosos como Gyeon Hwon e Gungye estabeleceram seus próprios regimes. Gyeon Hwon fundou o Hubaekje (Baekje Posterior) (892) e Gungye fundou o Hugoguryeo (Goguryeo Posterior) (901), mais tarde chamado de Taebong.

      Em 918, Gungye foi deposto por Wang Geon, um líder de Songak (atual Gaeseong). Wang Geon fundou a dinastia Goryeo, declarando-a herdeira do antigo reino de Goguryeo. Em 935, Silla foi incorporada pacificamente a Goryeo e, em 936, após a queda de Baekje Posterior, Wang Geon unificou definitivamente os Três Reinos Posteriores.

      Goryeo adotou o Confucionismo como ideologia política, fundando o Gukjagam (instituição nacional de ensino superior). O Budismo também floresceu, influenciando festivais como o Yeondeunghoe (Festival das Lanternas de Lótus). Este período foi marcado por um comércio internacional intenso; através de mercadores árabes e chineses que frequentavam o porto de Byeongnando, o nome “Goryeo” espalhou-se pelo mundo, dando origem ao nome “Coreia”.

      Fonte: Korea.net (2026) - Jikji (Goryeo, século XIV), o texto mais antigo existente impresso com tipos móveis de metal
      Fonte: Korea.net (2026) – Jikji (Goryeo, século XIV), o texto mais antigo existente impresso com tipos móveis de metal

      Goryeo inventou a impressão com tipos de metal mais de 200 anos antes de Gutenberg. O livro Jikji (1377), impresso com essa técnica, é reconhecido pela UNESCO como o mais antigo do mundo em seu gênero.

      Resistência contra os Mongóis

      No século XIII, os mongóis invadiram Goryeo sete vezes. Para resistir, a capital foi transferida para a Ilha de Ganghwa. Mesmo após um acordo de paz em 1259, que garantiu a continuidade da dinastia contra os planos mongóis de controle direto, um grupo de elite chamado Sambyeolcho continuou a lutar por 42 anos. Embora o espírito de resistência tenha sido indomável, a guerra devastou o país.

      Dinastia Joseon (1392–1910)

      No final do século XIV, Goryeo enfrentava crises internas (lutas de poder) e externas (invasões dos Rebeldes do Turbante Vermelho e piratas wakō). O General Yi Seong-gye, que ganhou prestígio ao repelir essas ameaças, acabou derrubando Goryeo e fundou a dinastia Joseon. Como Rei Taejo, ele moveu a capital para Hanyang (atual Seul), local escolhido estrategicamente segundo os princípios do feng shui e por sua proximidade com o rio Han.

      Consolidação e o Rei Sejong, o Grande

      O Rei Taejong (3º rei) estabilizou o governo central e criou o sistema de “Hopae” (um sistema de identificação da população). Ele estabeleceu os Seis Ministérios (Pessoal, Tributação, Ritos, Assuntos Militares, Punições e Obras Públicas) que respondiam diretamente ao trono. Seu filho, o Rei Sejong, levou Joseon a um auge cultural e científico.

      A Criação do Hangul (1443)

      Antes da criação das letras coreanas, a Coreia usava caracteres chineses, o que dificultava a alfabetização. Em 1443, Sejong criou o Hangul, um alfabeto científico baseado na anatomia do aparelho fonador humano. Promulgado em 1446, o Hangul democratizou a comunicação e é hoje celebrado como um dos sistemas de escrita mais lógicos do mundo.

      Fonte: Korea.net (2026) – Joseon (Século XV)
      Fonte: Korea.net (2026) – Joseon (Século XV)

      A Guerra Imjin (1592-1598)

      O Japão, unificado por Toyotomi Hideyoshi, invadiu Joseon com 200 mil soldados. O reino foi salvo pela resistência das milícias locais e, crucialmente, pelas vitórias navais do Almirante Yi Sun-sin. Mesmo em desvantagem numérica extrema (como na Batalha de Myeongnyang, onde venceu 133 navios com apenas 13), suas táticas e o uso dos “Navios Tartaruga” foram decisivos.

      Cultura Popular

      Ao final da dinastia Joseon, com o crescimento do comércio, a cultura floresceu entre o povo. O Pansori (narrativa musical) e as Danças de Máscaras tornaram-se formas de entretenimento populares que persistem até hoje como patrimônios culturais.

      Fonte: Korea.net (2026) – Sandaenori
      Fonte: Korea.net (2026) – Sandaenori

      Fontes:

      BAEKJE CULTURAL LAND. Bhm.or.kr. Disponível em: <https://www.bhm.or.kr/html/kr/#none>

      KOREA.NET. Goryeo Dynasty: Korea.net: The official website of the Republic of Korea. Korea.net. Disponível em: <https://www.korea.net/AboutKorea/History/Goryeo-Dynasty>.

      KOREA.NET. Joseon Dynasty: Korea.net: The official website of the Republic of Korea. Korea.net. Disponível em: <https://www.korea.net/AboutKorea/History/Joseon-Dynasty>.

      KOREA.NET. Three Kingdoms and Other States: Korea.net: The official website of the Republic of Korea. Korea.net. Disponível em: <https://www.korea.net/AboutKorea/History/Three-Kingdoms-and-Other-States>.

      KOREA.NET. Unification of the Three Kingdoms under Silla: Korea.net: The official website of the Republic of Korea. Korea.net. Disponível em: <https://www.korea.net/AboutKorea/History/Unification-of-the-Three%20Kingdoms-under-Silla>.

    4. Guerra da Coreia

      Guerra da Coreia

      Em 1950, a invasão do território da Coreia do Sul por tropas norte-coreanas dá início à Guerra da Coreia. O conflito se estende até 1953, envolvendo cerca de 20 países, que são liderados, do lado da Coreia do Sul, pelos Estados Unidos, e, do lado da Coreia do Norte, pela China.

      Os embates sangrentos deixam como saldo dois países arrasados e mais de 3 milhões de mortos e feridos.

      Recomendação de vídeo (BBC News Brasil):

      Como a Coreia virou dois países (e qual foi o papel de EUA e União Soviética).

      Fonte: BBC News Brasil

      Fontes:

      1. CONSULADO Geral da República da Coreia em São Paulo. [República da Coreia] HISTÓRIA 상세보기 | Informações Gerais. São Paulo, 11 fev. 2020. Disponível em: https://overseas.mofa.go.kr/br-saopaulo-pt/brd/m_6208/view.do?seq=755188&page=1. Acesso em: dez. 2022.
      2. BBC NEWS BRASIL. Como a Coreia virou dois países (e qual foi o papel de EUA e União Soviética). São Paulo, 10 jan. 2021. 1. Vídeo (7min12). In: BBC News Brasil [canal de vídeos do YouTube]. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=FB7iCvS8FFI. Acesso em: dez. 2022.
    5. República da Coreia (Coreia do Sul)

      República da Coreia (Coreia do Sul)

      No início do século XX, a península está sob domínio japonês, do qual se livrará apenas 35 anos depois, ao término da II Guerra Mundial (1939–1945). Nesse conflito, o Japão formava com Alemanha e Itália a chamada Aliança do Eixo, adversária das Forças Aliadas, comandadas pelos Estados Unidos.

      Com a derrota da Aliança e a rendição das forças japonesas em 1945, a península é dividida ao meio – ao norte, a zona sob influência da então União Soviética, de regime comunista, e, ao sul, a zona controlada pelos Estados Unidos, de regime capitalista.

      Líderes de cinco países profundamente envolvidos na Guerra da Coreia. A partir da esquerda: Kim Il-sung da Coreia do Norte, Syngman Rhee da Coreia do Sul, Truman dos Estados Unidos, Mao Tsé-Tung da China e Stalin da União Soviética.
      Fonte: edaily.co.kr

      Em 1948, a República da Coreia (Coreia do Sul) e a República Popular Democrática da Coreia (Coreia do Norte) são reconhecidas como Estados autônomos. No entanto, a península permanece área de confronto indireto entre os blocos de nações comunistas e capitalistas durante os anos da Guerra Fria.

      Fontes:

      1. CONSULADO Geral da República da Coreia em São Paulo. [República da Coreia] HISTÓRIA 상세보기 | Informações Gerais. São Paulo, 11 fev. 2020. Disponível em: https://overseas.mofa.go.kr/br-saopaulo-pt/brd/m_6208/view.do?seq=755188&page=1.  Acesso em: dez. 2022.
      2. 이데일리. [위대한 생각]②한국전쟁 최후의 승자는 ○○○이다. Disponível em: <https://www.edaily.co.kr/news/read?newsId=01233286625805328&mediaCodeNo=257>. Acesso em: dez. 2022.
    6. Tangun/Dangun (Mito da Fundação da Coreia)

      Tangun/Dangun (Mito da Fundação da Coreia)

      A história da Coreia começa com o reino Gojoseon, que dura de 2333 a.C. a 108 d.C. Há relatos de que, desde o século IV a.C., o território da península já seria disputado por povos vizinhos, iniciando pelos chineses dos estados feudais de Yan e Han.

      Tangun, primeiro rei mitológico dos coreanos, era neto de Hwanin, o criador, e filho de Hwanung, e se tornou rei da Coreia em 2333 a.C. As lendas sobre Tangun são variadas e se diferem em alguns detalhes. De acordo com uma versão, Hwanung, o pai de Tangun, deixou o céu para governar a terra, do topo dos montes Taebaek.

      Fonte: 우리역사넷

      Quando uma ursa e uma tigresa expressaram o desejo de se tornarem seres humanos, ele ordenou que os animais ficassem em uma caverna por 100 dias e deu ordens para que comessem apenas artemísia e alho, evitando a luz do sol. A tigresa logo ficou impaciente e saiu da caverna, mas a ursa permaneceu e se transformou em uma linda mulher. Foi esta ursa que se tornou a mãe de Tangun. O mito é importante porque liga o povo coreano a uma origem celestial.

      Fonte: 우리역사넷

      O aniversário de Tangun (“Dia da Fundação Nacional” ou “Gaecheonjeol”) é celebrado no 3 de outubro como um feriado nacional.

      Fonte: 우리역사넷

      Fontes:

      1. CONSULADO Geral da República da Coreia em São Paulo. [República da Coreia] HISTÓRIA 상세보기 | Informações Gerais. São Paulo, 11 fev. 2020. Disponível em: https://overseas.mofa.go.kr/br-saopaulo-pt/brd/m_6208/view.do?seq=755188&page=1. Acesso em: dez. 2022.
      2. ENCYCLOPAEDIA BRITANNICA. Tangun. Londres, 19 set. 2021. Disponível em: https://www.britannica.com/topic/Tangun. Acesso em: dez. 2022.
      3. 우리역사넷. Disponível em: <http://contents.history.go.kr/mobile/eh/view.do?levelId=eh_n0010_0010&code=>. Acesso em: dez. 2022.