A Coreia do Sul é frequentemente citada como o maior exemplo global de como o investimento em capital humano pode transformar o destino de uma nação. Em poucas décadas, o país deixou de ser uma economia rural para se tornar um hub tecnológico de elite, movido por uma mão de obra altamente qualificada. Esse salto só foi possível graças a políticas públicas que priorizaram a educação infantil, tornaram o ensino médio obrigatório e expandiram massivamente o acesso às universidades.

Os resultados dessa dedicação são visíveis nos rankings internacionais. De acordo com o relatório Education at a Glance 2025 (OECD, 2025), a Coreia do Sul atingiu novos recordes estruturais:
- Líder em Ensino Superior: o país mantém a maior taxa de escolaridade terciária (ensino superior) do mundo entre jovens adultos (25-34 anos), atingindo 71% em 2024/2025. A média da OCDE é de 48%.
- Universalização do Ensino Médio: apenas 1% dos jovens coreanos não concluem o ensino médio, a menor taxa entre todos os países membros e parceiros da OCDE.
- Equidade de Oportunidade: o impacto do “background familiar” (renda e educação dos pais) no sucesso acadêmico é menor na Coreia do Sul do que na média da OCDE, indicando um sistema de base mais resiliente.
Além disso, a taxa de alfabetização no país é virtualmente de 100%. Quando olhamos para o ensino superior, o cenário é ainda mais impressionante: em 2025, a Coreia do Sul consolidou sua liderança na OCDE, com mais de 70% dos jovens entre 25 e 34 anos portando um diploma universitário (OECD, 2025).
O preço do sucesso: hagwons e pressão acadêmica
No entanto, o “milagre” educacional tem um custo social elevado. O sistema é conhecido por uma competitividade extrema, simbolizada pelos Hagwons (학원) — institutos privados de reforço onde os alunos passam tardes e noites em jornadas exaustivas.
Esse modelo tem gerado debates intensos sobre:
- Saúde mental: a preocupação crescente com o estresse e o bem-estar psicológico dos jovens.
- Custo de vida: o impacto financeiro nas famílias, que investem fortunas em educação privada para garantir a competitividade dos filhos.
- Equilíbrio: a necessidade de uma vida que não seja resumida apenas aos exames de admissão.
Reformas e o futuro digital (2025-2026)
Ciente desses desafios, o governo sul-coreano tem buscado equilibrar o rigor acadêmico com a criatividade. As reformas recentes focam na integração de tecnologias digitais e no fortalecimento das áreas de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática), mas com um novo olhar para a redução da carga horária excessiva. O objetivo agora é formar não apenas “máquinas de resolver testes”, mas profissionais criativos prontos para a economia do conhecimento do século XXI (OECD, 2025).
Fontes:
- BBC NEWS BRASIL. Matemática: como é o ensino nos países que se saem melhor no Pisa. BBC News Brasil. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cwy966x3ggro
- CONSULADO GERAL DA REPÚBLICA DA COREIA EM SÃO PAULO. [República da Coreia] Sociedade. São Paulo, 13 fev. 2020. Disponível em: https://overseas.mofa.go.kr/br-saopaulo-pt/brd/m_6208/view.do?seq=755190
- OECD. Education at a Glance 2025: Korea. Oecd.org. Disponível em: https://www.oecd.org/en/publications/education-at-a-glance-2025_1a3543e2-en/korea_252c9ed2-en.html
