A Constituição sul-coreana garante a liberdade de crença e a separação entre Estado e religião. O panorama atual reforça a Coreia do Sul como uma das nações mais secularizadas da Ásia, embora profundamente influenciada por valores tradicionais.
As religiões mais antigas são o budismo, introduzido na península no final do século IV, e o confucionismo, adotado como ideologia na dinastia Joseon (1392-1910). São também as religiões mais influentes no modo de vida sul-coreano. Metade dos sítios e das edificações de valor cultural da Coreia do Sul estão associados a essas duas crenças.
Atualmente, cerca de 52% a 56% da população declara não ter afiliação religiosa (irreligiosos). Entre os que professam alguma fé (aproximadamente 44% da população total), a divisão permanece da seguinte forma:
- Protestantismo: 45% – Maior grupo individual; forte presença em áreas urbanas
- Budismo: 33% – Ligeira queda; maior concentração em áreas rurais e entre idosos.
- Catolicismo: 18% – Estável; alta influência em estratos intelectuais e políticos.
- Outros: 4% – Crescimento de novos movimentos e do Islã (devido à imigração).
Detalhes e tendências para 2026
1. O Avanço do Protestantismo e Catolicismo
O catolicismo foi introduzido no final do século XVIII. Porém, seus missionários foram expulsos em 1866, retornando apenas na primeira metade do século XX. O protestantismo foi introduzido na península coreana por missionários norte-americanos, no final do século XIX, e ganhou adeptos por seu trabalho voltado à educação e a serviços de saúde. O cristianismo consolidou-se como a força religiosa dominante. Em 2026, estima-se que existam cerca de 6,1 milhões de católicos e mais de 10 milhões de protestantes. A influência das megaigrejas em Seul continua sendo um marco mundial, mas estas enfrentam o desafio de se reconectar com a Geração Z e Alpha.


2. Budismo e Patrimônio Cultural
Embora o número de praticantes ativos venha diminuindo ligeiramente, o Budismo permanece como a “espinha dorsal” cultural. Mais de 70% dos tesouros nacionais da Coreia são de origem budista. O programa Templestay atingiu recordes de procura em 2025, sendo visto mais como uma prática de saúde mental e bem-estar do que puramente religiosa.

3. O “Budismo Confucionista” e o Secularismo
Um dado relevante para 2026 é o crescimento do grupo identificado como “Religiosos Culturais”: pessoas que se declaram sem religião, mas que seguem rigorosamente os ritos confucionistas de respeito aos ancestrais (Jerye) e ética social.
4. Mudanças Sociais (2025-2026)
Pluralismo: com o aumento da imigração para suprir a crise demográfica, o número de muçulmanos (comunidades de imigrantes e coreanos convertidos) ultrapassou a marca de 200.000 em 2025.
Declínio Juvenil: a afiliação religiosa entre jovens de 19 a 29 anos caiu para menos de 25%.
Religião Digital: o uso de aplicativos para cultos e meditação budista consolidou-se como a principal forma de prática para a classe trabalhadora urbana.
Fontes:
- CONSULADO GERAL DA REPÚBLICA DA COREIA EM SÃO PAULO. [República da Coreia] Sociedade. São Paulo, 13 fev. 2020. Disponível em: https://overseas.mofa.go.kr/br-saopaulo-pt/brd/m_6208/view.do?seq=755190
- GALLUP KOREA. Religion in South Korea Report: Edição Janeiro 2026. Seul: Gallup Korea, 2026. Disponível em: https://www.gallup.co.kr
- KOSTAT – STATISTICS KOREA. Annual Social Survey 2025: Religious and Social Trends. Daejeon: KOSTAT, 2025. Disponível em: https://kostat.go.kr
- PEW RESEARCH CENTER. Religious Composition of South Korea: Projections 2020-2050. Washington, DC: Pew Research Center, 2025. Disponível em: https://www.pewresearch.org
