Ssireum(씨름), uma forma tradicional coreana de luta livre, é um tipo de competição popular em que dois jogadores, segurando-se um satba (um cinto de pano amarrado na cintura e na coxa), usam a sua força e várias técnicas para lutar entre si até derrubar o oponente no chão.
Ssireum é um Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO, desde 2018.
Fonte: NFM (National Folk Museum of Korea)
A história de ssireum remonta à formação da vida em comunidades. Nas sociedades primitivas, as pessoas inevitavelmente tinham que lutar contra os animais selvagens, não só para a autodefesa, mas, também para se alimentarem. Além disso, era impossível para essas comunidades evitar entrar em conflito com outras tribos: como resultado, as pessoas acabaram praticando diferentes formas de artes marciais para se proteger.
O taekkyeon (택견) é uma luta que segue movimentos ritmados, semelhantes aos da capoeira. A primeira menção a essa arte marcial data do final do século XVIII. A luta é considerada Patrimônio Imaterial da Humanidade pela Unesco, desde 2011.
Fonte: heritage.unesco.or.kr
Como uma das artes marciais tradicionais sobreviventes desenvolvidas na Coreia, o taekkyeon é bastante diferente do taekwondo e costumava ser conhecido por vários nomes diferentes, como gakhui (“esporte das pernas”) e bigaksul (“arte de voar”), que sugerem relação com o movimento do chute. Como a maioria das outras artes marciais em que as armas não são usadas, o taekkyeon visa aprimorar as técnicas de autodefesa e promover a saúde física e mental através da prática de dança corporal orquestrada.
Os participantes são incentivados a se concentrar mais na defesa do que no ataque e a jogar o oponente no chão usando as mãos e os pés ou pular e dar um chute na cara dele para vencer uma partida.
Fonte: SERVICE (KOCIS), K. C. AND I. UNESCO Heritage in Korea : Korea.net : The official website of the Republic of Korea. Disponível em: <https://www.korea.net/AboutKorea/Culture-and-the-Arts/UNESCO-Treasures-in-Korea>.
Entre os esportes tradicionais que foram revividos nos tempos modernos, a arte marcial do taekwondo (태권도) foi a que ganhou maior notoriedade e é amplamente praticada em todo o mundo.
É a única modalidade olímpica que se originou na Coreia.
Otaekwondoutiliza todo o corpo, em particular as mãos e os pés. Ele não só fortalece o bem-estar físico, mas também educa o caráter via treinamento físico e mental, juntamente com técnicas de disciplina. Essa arte marcial de autodefesa tornou-se um esporte popular internacional no último quarto de século, com cerca de 3.000 instrutores coreanos que ensinam otaekwondo em mais de 150 países.
Jesa (제사) é um ritual de comemoração para homenagear os antepassados falecidos e fazer uma reflexão sobre a sua origem. Portanto, durante a cerimônia, faz-se toda a reverência como se o antepassado falecido estivesse presente, para que possam receber as bênçãos destes, além de ensinar aos filhos e sucessores a piedade filial e o respeito aos mais velhos.
Charye (차례) é um serviço memorial para os ancestrais que é realizado durante Seollal (Dia do Ano Novo Lunar), Chuseok (Festa da Colheita) e outros feriados coreanos tradicionais. É uma forma de adoração ancestral e uma expressão de gratidão aos antepassados.
Fonte: NFM (National Folk Museum of Korea)
Fonte: National Folk Museum of Korea – 영어 > Collection > Folk story > Traditional Rites and Rituals > What is Jesa (Ancestral Rite)? Disponível em: <https://www.nfm.go.kr/english/subIndex/1049.do>.
Durante o reinado do Rei Sejong, o Grande (세종대왕) (r. 1418-1450), quarto monarca da dinastia Joseon, a Coreia desfrutou de um florescimento sem precedentes da cultura e da arte. Sob a orientação do Rei Sejong, estudiosos da Academia Real criaram o alfabeto coreano Hangul (한글).
Fonte: Seoul.go.kr
O Rei Sejong tinha também muito interesse em ciência astronômica e relógios de sol, relógios de água, globos celestes e mapas astronômicos foram produzidos a seu pedido.
Conheça um pouco mais sobre o Rei Sejong, neste vídeo da Embaixada da República da Coreia:
Fonte:
Centro Cultural Coreano no Brasil. Disponível em: <https://brazil.korean-culture.org/pt/143/korea/45>. Acesso em: dez. 2022.
O manuscrito publicado em 1446 foi chamado de “Hunminjeongeum” (훈민정음), que significa “sistema fonético adequado para educar o povo”. Além de ser o nome do manuscrito que explica o novo alfabeto, “Hunminjeongeum” é também o nome do sistema fonético criado pelo Rei Sejong (atualmente chamado de Hangul).
O “Hunminjeongeum”(훈민정음) foi registrado como Patrimônio documental do Programa de Registro de Memória do Mundo da Unesco em 1997.
Fonte: Korean.go.kr
Fonte: 알고 싶은 한글 Disponível em: <https://www.korean.go.kr/eng_hangeul/principle/001.html>.
O alfabeto coreano foi criado em 1443 e publicado em 1446 pelo Rei Sejong, o Grande.
O Hangul (한글) ou Hangeul consiste de 10 vogais e 14 consoantes: estas podem ser combinadas de modo a formar numerosos agrupamentos silábicos. O significado de Hangul é a “escrita coreana”: Han 한 (Coreia) + gul 글 (escrita).
É simples, mas sistemático e abrangente, e é considerado um dos sistemas de escrita mais científicos do mundo. O Hangul é fácil de aprender e escrever, o que tem contribuído muito para a Coreia aumentar a taxa de alfabetização, e também deu ao país uma vantagem na era da informática.
Fonte: Korean.go.kr
Fonte: 알고 싶은 한글 Disponível em: <https://www.korean.go.kr/eng_hangeul/principle/001.html>.
A Coreia aderiu à Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em 1996 e deu um passo para se tornar um país economicamente avançado. No início do século XXI, a renda nacional bruta per capita da Coreia excedeu em muito à da maioria de seus vizinhos, com exceção do Japão e Taiwan (IM, 2022). Essas conquistas notáveis, no entanto, foram por vezes ofuscadas por dificuldades econômicas causadas tanto por fatores externos quanto internos, como a crise de 1997.
Essa crise, também chamada de crise monetária do sudeste asiático (REIS, 2019), foi uma sequência de desvalorizações monetárias e de outros eventos que começaram no verão de 1997 e se espalharam por muitos mercados asiáticos. Os mercados cambiais falharam primeiro na Tailândia como resultado da decisão do governo de não mais indexar a moeda local ao dólar americano (USD). O declínio da moeda se espalhou rapidamente pelo Leste Asiático, causando, por sua vez, o declínio da bolsa de valores e a redução das receitas de importação.
O problema foi exacerbado devido a empréstimos improdutivos em muitos bancos comerciais da Coreia. Em dezembro de 1997, o FMI havia aprovado um empréstimo de US$ 21 bilhões, que faria parte de um plano de resgate de US$ 58,4 bilhões (KOO; KISER, 2001). Em janeiro de 1998, o governo determinou o encerramento das atividades de um terço dos bancos comerciais da Coreia (KOO; KISER, 2001). Ao longo de 1998, a economia da Coreia continuaria a encolher trimestralmente a uma taxa média de 6,65% (KOO; KISER, 2001) e o chaebol sul-coreano Daewoo foi desmantelado pelo governo em 1999 devido a problemas de dívida.
Fonte: Arquivos de Hankookilbo (1998)
As ações do governo sul-coreano e as trocas de dívida por financiadores internacionais contiveram os problemas financeiros do país. Grande parte da recuperação da Coreia do Sul em relação à crise financeira asiática de 1997 pode ser atribuída a ajustes trabalhistas (isto é, um mercado de trabalho dinâmico e produtivo com taxas salariais flexíveis) e fontes alternativas de financiamento (KOO; KISER, 2001).
No primeiro trimestre de 1999, o crescimento do PIB havia subido para 5,4%, e o forte crescimento depois disso combinado com a pressão deflacionária sobre a moeda levou a um crescimento anual de 10,5%. Em dezembro de 1999, o presidente Kim Dae-jung declarou que a crise da moeda havia terminado (KOO; KISER, 2001).
Fontes:
REIS, T. Crise asiática de 1997: entenda como aconteceu a crise dos Tigres Asiáticos, 9 Março 2019. Disponivel em: <https://www.suno.com.br/artigos/crise-asiatica/>. Acesso em: jun. 2022.
KOO, Jahyeong; KISER, Sherry L. Recovery from a financial crisis: the case of South Korea. In: Internet Archive. Out. 2001. Disponível em: https://web.archive.org/web/20111108023544/http://findarticles.com/p/articles/mi_m0DKI/is_4_2001/ai_84799965/?tag=content%3Bcol1. Acesso em: dez. 2022
A economia coreana, que era baseada na agricultura até os anos 1960, perseguiu uma maior dinâmica industrial no pós-Guerra da Coreia. Diversos planos econômicos foram inaugurados em 1962 e orientaram o desenvolvimento da manufatura leve para a exportação (MASIERO, 2000). O auxílio econômico recebido naquela época essencialmente dos Estados Unidos (EUA) e, depois, do Japão foi relevante para o crescimento da economia do país.
Na década de 1970, foi empreendida uma maior industrialização no país, liderada pelos grandes conglomerados de propriedade familiar, as chaebols, levando a indústria coreana a produzir e exportar maquinários elétricos, automóveis, navios, produtos químicos ou semicondutores (MASIERO, 2000) em condições de alta competitividade no comércio internacional.
Fonte: The Hankyoreh (hani.co.kr)
A Coreia do Sul ficou conhecida no Ocidente como um dos Tigres Asiáticos, termo para designar as economias de alto crescimento entre 1960 e 1990 situadas na Ásia: Hong Kong, Cingapura, Coreia do Sul e Taiwan. Os quatro Tigres Asiáticos têm mantido consistentemente altos níveis de crescimento econômico desde os anos de 1960 e se juntaram coletivamente às fileiras das nações mais ricas do mundo. Hong Kong e Cingapura estão entre os mais proeminentes centros financeiros mundiais, enquanto a Coreia do Sul e Taiwan são centros essenciais para a fabricação global de automóveis e componentes eletrônicos, bem como de tecnologia da informação.
Essas economias experimentaram um crescimento excepcionalmente forte entre os anos 1950 e 1990. Em 1950, o PIB per capita, renda média anual da sociedade, variava de US$ 850 na Coreia do Sul a US$ 2.220 em Hong Kong e Cingapura. Em 1980, o PIB per capita havia quase triplicado nesses países e, em 2010, havia crescido para US$ 21.700 na Coreia do Sul e US$ 30.720 em Hong Kong (ECHAVARRIA; ARIAS, 2017). Para uma comparação, a renda média anual nos EUA era de US$ 9.560 em 1950, US$ 18.580 em 1980 e US$ 30.490 em 2010.
Fontes:
MASIERO, Gilmar. A Economia Coreana: Características Estruturais, 2000. 1-30. Rio de Janeiro, 5-6 out. 2000. In: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Disponível em: https://www4.pucsp.br/geap/artigos/art6.PDF. Acesso em: dez. 2022.
RETREPO ECHAVARRIA, Paulina; ARIAS, Maria A. Tigers, Tiger Cubs and Economic Growth. St. Louis, 25 maio 2017. In: Federal Reserve Bank of St. Louis. Disponível em: https://www.stlouisfed.org/on-the-economy/2017/may/tigers-tiger-cubs-economic-growth. Acesso em: dez. 2022.
S. Korean chaebols comprise 84% of GDP but only 10% of jobs. Disponível em: <https://english.hani.co.kr/arti/english_edition/e_business/949236.html>.
A Coreia do Sul tem um dos sistemas financeiros mais desenvolvidos do mundo, que passou por uma modernização notável desde a crise financeira asiática de 1997. Embora o surto da pandemia da Covid-19 tenha levado a uma queda econômica inicial em 2020, o sistema financeiro coreano provou ser estável e resistente durante esse período.
No centro do sistema financeiro do país está o Bank of Korea (Banco Central da Coreia), fundado em 1950 e emissor do won, a moeda sul-coreana. É uma das principais instituições financeiras do mundo e uns dos seus principais objetivos é controlar o PIB e a inflação no mercado coreano.
A partir de novembro de 2021, o índice de estabilidade financeira (FSI) da Coreia do Sul atingiu 5,1 pontos, mostrando um aumento em comparação aos meses anteriores. O valor do índice atingiu o nível mais alto em abril de 2020 e caiu em seguida. Embora o surto da pandemia Covid-19 tenha levado a uma queda econômica inicial em 2020, o sistema financeiro da Coreia do Sul, mostra ser consistente. Outro fator são os títulos negociados na bolsa de valores sul-coreana, que os investidores podem negociar vários instrumentos na bolsa, incluindo ações, títulos, ETFs e cotas (trusts) de investimento imobiliário (Reits).
A Bolsa de Valores da Coreia (KRX) é uma organização que fornece o ambiente para as empresas levantarem fundos por meio da emissão de títulos e os investidores revenderem seus papéis. Nela são operados o KOSPI e o KOSDAQ, mercados de negociação de ações. A KRX foi criada em 2005 com a fusão das três bolsas existentes: a Korea Stock Exchange (estabelecida em 1956), a KOSDAQ (estabelecida em 1996) e a Korea Futures Exchange. A KOSPI, por exemplo, concentra-se principalmente nas grandes empresas, ou blue chips.