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  • K-pop

    K-pop

    A influência do Ocidente após a II Guerra Mundial e o intenso desenvolvimento tecnológico das últimas décadas criaram uma vigorosa cultura popular na Coreia do Sul, divulgada por mídias eletrônicas e redes sociais, no movimento Hallyu. Também chamada Korean wave (onda coreana), a Hallyu mescla a cultura tradicional com o moderno modo de vida da sociedade sul-coreana. O movimento engloba diferentes manifestações voltadas principalmente ao entretenimento, como novelas, séries e música, e é importante ferramenta de divulgação da cultura sul-coreana no exterior e, assim, movimenta a indústria cultural do país. Estima-se que os fãs da Hallyu já ultrapassem 35 milhões de pessoas em cerca de 90 países, principalmente da Ásia e da Oceania.

    A Hallyu trouxe o K-pop, estilo musical surgido no final dos anos 1990, que segue diferentes ritmos, como hip-hop, rap e R&B. O K-pop transformou a Coreia do Sul no 13º maior mercado musical do mundo, ainda em 1997. E, em 2002, os sul-coreanos mantinham a 2ª maior indústria de produção musical da Ásia.

    Do Trot ao fenômeno global: a metamorfose cultural da Coreia do Sul

    O que hoje conhecemos como K-pop é, na verdade, o resultado de um século de transformações profundas e, por vezes, contraditórias na península coreana. De uma nação que iniciou o século XX sob domínio colonial japonês e enfrentou as cinzas da Guerra da Coreia, a Coreia do Sul emergiu como a 4ª maior potência musical do mundo, segundo Ranking global de poder de exportação musical de 2025 (Billboard, 2026). Mas esse sucesso não é apenas sobre música; é sobre a construção de uma marca global — a Brand Korea.

    A identidade sonora coreana passou por várias camadas de influência. Após a libertação do domínio japonês em 1945, a presença das Forças Armadas dos EUA introduziu o jazz, o pop e o rock. No entanto, a Coreia não se “ocidentalizou” passivamente. Nos anos 70, enquanto a elite flertava com a música clássica europeia, as massas urbanas consumiam o Trot (트로트), mantendo vivas as raízes folclóricas no interior.

    A ruptura estética definitiva veio em 1992 com Seo Taiji and the Boys. Ao fundir o hip-hop americano com a língua coreana, eles pavimentaram o caminho para o que chamamos de “Onda Coreana 2.0”. O K-pop criou um produto que, paradoxalmente, conquista o mundo por não soar “tradicionalmente coreano” (Billboard, 2025).

    Fonte: Kpopworld (2025)

    Domínio Global e Números de 2025

    Hoje, o K-pop é a locomotiva de uma indústria cultural que exportou mais de US$ 37,9 bilhões em 2024, colocando a Coreia como a 4ª maior exportadora de cultura do planeta (Chosun, 2026). O ano de 2025 consolidou uma mudança de paradigma: a receita vinda de turnês mundiais passou a superar, em diversos casos, a venda de álbuns físicos.

    • Gigantes do Palco: Grupos como SEVENTEEN e Stray Kids lideraram o “boom” das turnês globais em 2025, quebrando recordes históricos de bilheteria (Forbes, 2025).
    • Influência Contínua: Mesmo com membros cumprindo o serviço militar, o BTS mantém sua hegemonia, enquanto grupos da quarta geração — como NewJeans, TXT, IVE e Le Sserafim — dominam o topo da Billboard e as paradas digitais (Billboard, 2025).

    O Ecossistema K: música, tela e prestígio

    A ascensão musical serviu como porta de entrada para um consumo desenfreado de outros produtos da Hallyu. O impacto do K-pop retroalimenta o interesse por produções audiovisuais de prestígio, como o filme Parasita (vencedor do Oscar) e a série Round 6, que em 2025 já é citada como um marco histórico por ter sido a primeira produção não-inglesa a vencer prêmios principais no Emmy.

    Atualmente, o “K” em K-pop funciona menos como um descritor étnico e mais como um selo de qualidade industrial. De Seul a São Paulo, a disseminação global através das redes sociais transformou artistas coreanos em embaixadores culturais de uma nação que aprendeu a exportar sua própria modernidade.

    Fonte: Billboard (2025)

    Fontes:

    1. BILLBOARD. 17 Ways K-Pop Proved More Global Than Ever in 2025. Billboard. Disponível em: https://www.billboard.com/lists/k-pop-more-global-than-ever-2025-year-end-review
    2. BRASIL, Billboard. Brasil sobe no ranking global de poder de exportação musical em 2025 – Billboard Brasil. Billboard Brasil. Disponível em: https://billboard.com.br/brasil-ranking-global-poder-exportacao-musical-2025/
    3. CHOSUN. K-Culture Exports Rank Fourth, Surpass $37.9 Billion. The Chosun Daily. Disponível em: https://www.chosun.com/english/travel-food-en/2026/01/01/3BQZVGCREREL7G2TIK6J7SHJTQ/
    4. CONSULADO GERAL DA REPÚBLICA DA COREIA EM SÃO PAULO. [República da Coreia] Cultura Contemporânea. São Paulo, 14 fev. 2020. Disponível em: https://overseas.mofa.go.kr/br-saopaulo-pt/brd/m_6208/view.do?seq=755191
    5. FORBES. K-Pop’s Live Touring Boom 2025: SEVENTEEN, Stray Kids, BTS, BLACKPINK. Forbes. Disponível em: https://www.forbes.com/sites/jeffbenjamin/2025/05/31/k-pops-live-boom-2025-seventeens-record-gross-a-promising-2nd-half/
    6. IFPI. Global Music Report 2025. [s.l.: s.n.], 2025. Disponível em: https://www.ifpi.org/wp-content/uploads/2024/03/GMR2025_SOTI.pdf
    7. KPOPWORLD. Seo Taiji and Boys: Pioneers of K-Pop’s Future. Kpopworld.com. Disponível em: https://kpopworld.com/en/news/seo-taiji-and-boys-pioneers-of-k-pops-future

  • Taekwondo no Brasil

    Taekwondo no Brasil

    No ano de 1969, o presidente da International Taekwondo Federation (ITF), Choi Hong-hi, recebeu um convite do presidente Médici, para visitar o Brasil. O presidente ficou admirado com o Taekwondo, pois durante a Guerra do Vietnã rodavam inúmeras notícias sobre movimentos dos soldados coreanos que aniquilavam seus oponentes sem armas. Nesse contexto, pediu para Choi Hong-hi enviar alguns instrutores de taekwondo para o Brasil.

    No Brasil, a modalidade foi introduzida em 1970, com a chegada do mestre Sang Min Cho a São Paulo. O primeiro Campeonato Brasileiro aconteceu em 1973, ano em que foi fundada, na Coreia do Sul, a World Taekwondo Federation (WTF), entidade que organizou, já em 1973, o primeiro Campeonato Mundial.

    Em 1971, chegaram ao Brasil os mestres Sang In Kim e Kun Mo Bang. Com o intuito de combater o terrorismo, os mestres, após a sua chegada, foram designados a ensinarem a Polícia Secreta na Delegacia de Ordem Social e Política – DOPS. Concomitantemente, com o final da função do DOPS, os mestres foram ensinar taekwondo para o 1° Batalhão da Polícia Militar.

    Na época, para este trabalho na polícia não era preciso a dedicação em tempo integral de três mestres e, assim, no tempo livre, eles acabaram fundando academias e dando aulas. Nesse contexto, a primeira academia fundada foi a Academia de Taekwondo da Liberdade (no bairro da Liberdade em São Paulo), por Sang Min Cho.

    Em março de 1972, o mestre Woo Jae Lee introduziu o taekwondo na cidade do Rio de Janeiro e em 19 de janeiro de 1973, promoveu a 1ª Competição de Taekwondo no Brasil que foi o Campeonato Carioca. Neste mesmo ano, em julho, realiza-se em São Paulo o 1º Campeonato Brasileiro de Taekwondo, no Ginásio do Pacaembu.

    Todavia, com o tempo, os mestres perceberam que sozinhos seria impossível difundirem o taekwondo eficientemente, decidindo então convidar outros mestres para vir ao Brasil. Esse marco, representou um grande impulso na disseminação dessa arte marcial no Brasil, porém encontraram algumas barreiras como a diferença linguística e os aspectos socioculturais da população brasileira.

    Fonte: Facebook da Confederação Brasileira de Taekwondo Marcial – Pioneiros da Arte Marcial do Taekwondo Brasileiro. Da esquerda para direita:
    Gun-Mo Bang (Marília, SP), Huyng-Soo Jung (Agora no Canadá), Jong-Chan Pyun (Juiz de Fora, MG), Sang-Min Cho (Agora nos EUA), Kum Joon Kwon (São Paulo, SP), Woo-Jae Lee (Sítio Monte Rá, ES), Kwang-Soo Shin (Agora nos EUA), Sang-In Kim (falecido), Hui-Sup Lee (Agora nos EUA). Ausentes Jung-Do Lim e Jung-Roul Kim.

    No ano de 1972, na cidade do Rio de Janeiro, foi realizado o primeiro campeonato São Paulo X Rio de Janeiro, organizado pelo Woo Jae Lee, o primeiro mestre a montar uma academia de taekwondo no Rio. Em 1985, desembarca na Coreia a primeira equipe brasileira de taekwondo a participar do seu primeiro campeonato mundial. Nesse contexto é fundada a Federação Paulista de Taekwondo, no dia 28 de Fevereiro de 1986.

    Fonte: http://rededoesporte.gov.br/pt-br/megaeventos/olimpiadas/modalidades/taekwondo

    Fontes:

    1. MARTA, F. E. F. TAEKWON “DO”: OS CAMINHOS DE SUA HISTÓRIA NO ESTADO DE SÃO PAULO. Conexões, p. 151–162, 2000.
    2. BRASIL 2016. Taekwondo. Disponível em: <http://rededoesporte.gov.br/pt-br/megaeventos/olimpiadas/modalidades/taekwondo>. Acesso em: jan. 2023.
    3. Taekwondo e sua trajetória no Brasil. Disponível em: <https://efdeportes.com/efd196/taekwondo-e-sua-trajetoria-no-brasil.htm>.
  • Doces tradicionais coreanos

    Doces tradicionais coreanos

    A culinária de um país é um reflexo de sua identidade nacional, da sua cultura, ou seja, baseia-se nas influências históricas, culturais, econômicas e políticas, nas quais o país se relaciona.

    Por ser um país oriental, um dos produtos mais utilizados em sua culinária se torna o arroz, que, como o feijão, é utilizado frequentemente em doces coreanos, em vez de pratos salgados como normalmente é apresentado na maioria dos países. Além da diferença entre os alimentos usados nos doces, a Coreia também se difere da culinária americana e europeia por usufruir de formatos de animais ou formas geométricas e cores vibrantes na confecção de suas sobremesas. Nesse sentido, pode se observar essas características nos principais doces da Coreia do Sul a seguir.

    1) Bungeoppang (붕어빵)

    Bungeoppang é um doce coreano em formato de peixe que tradicionalmente é recheado com feijão vermelho doce, similar ao doce japonês taiyaki. Seu nome deriva das palavras carpa (bungeo) e pão (ppang), devido a sua semelhança a um waffle em formato de peixe. Por ser um lanche quente, é conhecido por ser uma comida típica de rua durante o inverno coreano, além de ser um sucesso entre as crianças. Atualmente, pode possuir diversos recheios, até mesmo salgados.

    Fonte: Pixabay.com

    2) Hotteok (호떡)

    Hotteok é uma panqueca doce facilmente encontrada em barraquinhas nas ruas sul-coreanas, principalmente em dias frios. É conhecido por ser crocante por fora e pegajosa por dentro, devido ao seu recheio de açúcar mascavo, mel, canela e nozes picadas. Acredita-se que o doce pode ter se originado através da ida de mercantes chineses à Coreia, devido a invasão. Na época eles faziam panquecas salgadas, mas, devido a preferência dos coreanos por sabores doces, os comerciantes modificaram a receita e assim o doce acabou por ser criado.

    Vídeo do Centro Cultural Coreano no Brasil de como preparar Hotteok (호떡):

    3) Bingsu (빙수)

    Bingsu é uma sobremesa típica do verão e uma das mais conhecidas fora da Coreia que pode ser encontrada em café, restaurantes e em vendedores de rua. Sua ideia veio da China, já que é de lá que surgiu o hábito de comer gelo raspado com frutas. O doce consiste em uma raspadinha de gelo acompanhada da cobertura de escolha, sendo a mais comum e mais tradicional o patbingsu, gelo raspado com cobertura de feijão vermelho.

    Fonte: Pixabay.com

    4) Dalgona (달고나)

    Dalgona, conhecido no Brasil como café cremoso, é um biscoito coreano feito de três ingredientes, normalmente açúcar, café solúvel e leite, mas que podem variar de receita para receita. Sua origem se deu na Índia, onde é conhecido por phenti hui, que significa café batido. Esse doce ficou conhecido mundialmente devido ao seu sucesso no TikTok durante a pandemia de Covid-19, onde levou o apelido de “café em quarentena”, por conta dos diversos vídeos de faça você mesmo. Sua popularidade cresceu mais ainda por conta da série da Netflix Round 6, que recupera uma brincadeira de criança em que se deve remover a forma feita no meio do biscoito sem quebrá-lo.

    Fonte: Pixabay.com
    Fonte: https://m.hankookilbo.com/

    5) Tteok (떡)

    Um doce tradicionalmente coreano, tteok é um bolinho de arroz que pode possuir diversos sabores e tamanhos, podendo ser recheado com feijão vermelho ou pasta de sésamo e coberto por soja amarela, sésamo-preto ou outros pós. É extremamente comum o encontrar em comemorações e festividades, e o tteok é tão importante para a cultura coreana que possui um museu próprio, localizado no Instituto de Comida Tradicional Coreana, o Museu do Tteok.

    Fonte: Pixabay.com

    6) Yakgwa (약과)

    É um doce frito típico da Coreia, conhecido por seus diversos formatos de flores, os quais diferem dependendo da loja e região em que são adquiridos. Geralmente servido em cerimônias, celebrações e em ocasiões especiais. A palavra “yakgwa” é traduzida do coreano como confecção medicinal, sendo que “yak” significa medicina e “gwa” significa doce/confeiteiro.

    Fonte: 100yearshop.co.kr

    7) Songpyeon (송편)

    Songpyeon é um bolo de arroz de grão curto recheado com diferentes condimentos, cozido no vapor e seu formato normalmente é em meia-lua. Esse doce é típico na época da celebração coreana de Chuseok, com finalidade de celebrar a colheita abundante do ano.

    Fonte: kor.pngtree.com

    8) Yaksik (약식)

    Yaksik é um doce feito de arroz doce misturado com frutas secas, principalmente tâmara vermelha nozes. Mesmo sendo um prato consumido durante o ano todo, se torna um prato comemorativo por ser comido na primeira lua cheia do Ano Novo Lunar, devido a uma lenda antiga que afirmava que um corvo salvou a vida de um rei ao avisá-lo do perigo iminente. Assim, para demonstrar sua gratidão, o rei ordenou ao seu povo que oferecessem arroz doce cozido com castanhas e tâmara vermelha aos corvos para honrar o corvo que o salvou.

    Fonte: Pixabay.com

    Fontes:

    1. 12 DOCES COREANOS QUE VÃO FAZER VOCÊ BABAR. TOMBOUCTOU. Disponível em: https://tombouctou-food.com/pt/12-doces-coreanos-que-vao-fazer-voce-babar/.
    2. 13 MELHORES SOBREMESAS COREANAS. NCGO. Disponível em: https://ncgovote.org/pt/13-melhores-sobremesas-coreanas-tradicionais-e- modernas/.
    3. BINGSU: WHAT IS IT, TASTE, AND HOW TO EAT. THE KOREAN GUIDE. Disponível em: https://thekoreanguide.com/bingsu/.
    4. CAFÉ DALGONA COREANO. ICAFEBR. Disponível em: https://icafebr.com.br/receitase-dicas/cafe-dalgona/.
    5. COMO FAZER YAKGWA, BISCOITO DE MEL COREANO. HILOVED. Disponível em: https://pt.hiloved.com/como-fazer-yakgwa-biscoitos-de-mel-coreano/.
    6. CONHEÇA 10 DOCES TÍPICOS DA COREIA DO SUL. ROTAS DE VIAGEM. Disponível em: https://rotasdeviagem.com.br/doces-tipicos-da-coreia-do-sul/.
    7. DOCES COREANOS. GRUPO EDUCACIONAL DA LÍNGUA COREANA. Disponível em: https://www.grupoeduc-kr.com/post/doces-coreanos.
    8. HOTTEOK. TASTE ATLAS. Disponível em: https://www.tasteatlas.com/hotteok.
    9. PASSEIOS CULTURAIS POR SEUL: MUSEU DO TTEOK. FLUENCYTV. Disponível em: https://www.fluencytv.com/conteudos/passeios-culturais-por-seul-museu-do-tteok.
    10. QUE PEIXINHO DOCE QUE É O BUNGEOPPANG. KOREAPOST. Disponível em: https://www.koreapost.com.br/colunas/taste-korea/que-peixinho-doce-que-e-obungeoppang-%eb%b6%95%ec%96%b4%eb%b9%b5/.
    11. SOBREMESA DE ARROZ COREANO. MARCO FREDDI. Disponível em: https://marcofreddi.org/pt/sobremesa-de-arroz-doce-coreano-yaksik/.
    12. “SQUID GAME” DALGONA CANDY. THE SPRUCEATS. Disponível em: https://www.thespruceeats.com/what-is-dalgona-candy-squid-game-5205185.
    13. CAPÍTULO11: Hotteok (호떡) / Culinária Coreana. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=Y0SCR5fGFtQ&list=PLbQhzy6WuTh7TahsxtXMW7HQ4Zh4ERn9Q&index=11>. Acesso em: jan. 2023.