Categoria: Economia

  • Economia da Coreia

    Economia da Coreia

    Atualmente, a Coreia do Sul se consolida como a 12ª maior economia do planeta. Esse posto é fruto de décadas de um crescimento robusto iniciado nos anos 60; em 2024, o PIB do país bateu a marca de USD 1,88 trilhão (JONES, 2026). Com um PIB per capita de USD 36.240, o desenvolvimento sul-coreano hoje supera com folga a média mundial (IMF, 2024).

    Fonte: Freepik.com

    Apesar do histórico sólido, o fechamento de 2025 trouxe sinais de alerta. A economia encolheu 0,3% no último trimestre daquele ano — a queda mais brusca em três anos (TRADING ECONOMICS, 2026). O motivo? Uma combinação de consumo interno morno e uma redução de 1% nas exportações (excluindo os semicondutores). No balanço anual, o crescimento de 1,5% acabou ficando abaixo das expectativas do mercado.

    Dois fatores pesaram bastante nesse cenário:

    1. Instabilidade Política: Os reflexos da declaração de lei marcial em dezembro de 2024 abalaram a confiança de consumidores e investidores durante todo o primeiro semestre de 2025 (JONES, 2026).

    2. Protecionismo nos EUA: Como os Estados Unidos compram quase 20% do que a Coreia produz, o aumento da tarifa efetiva de exportação (que saltou de 1% para 16%) foi um golpe duro para a indústria local (JONES, 2026).

    Mesmo assim, o país não perdeu sua relevância global. A Coreia continua sendo o 6º maior exportador do mundo, movendo bilhões em semicondutores, automóveis e circuitos eletrônicos, tendo como parceiros estratégicos China, EUA e Vietnã (OEC, 2024).

    Fonte: Statista (2026)

    A capacidade de recuperação sul-coreana se provou rápida. Ainda em 2025, o governo reagiu com orçamentos suplementares e o Banco da Coreia cortou os juros para 2,5%, o que ajudou o PIB a acelerar para 5,5% no terceiro trimestre (JONES, 2026).

    Para 2026, a expectativa é de um crescimento mais estável, em torno de 2,1% (OECD, 2025). Embora o aumento dos salários e o apoio fiscal joguem a favor, o cenário global é de cautela: a OMC prevê que o comércio mundial deve desacelerar drasticamente em 2026, o que pode ser um desafio extra para uma nação tão dependente do mercado externo.

    Recomendação de análise sobre a economia coreana:

    Economia da Coreia do Sul – Base da FMI: https://www.imf.org/en/countries/kor#countrydata

    Fontes:

    1. IMF (INTERNATIONAL MONETARY FUND). World Economic Outlook Database. Washington, DC: IMF, 2024. Disponível em: https://www.imf.org/en/Publications/WEO/weo-database/2022/October.
    2. IMF (INTERNATIONAL MONETARY FUND). Republic of Korea and the IMF. IMF. Disponível em: https://www.imf.org/en/Countries/KOR#countrydata
    3. JONES, Randall S. South Korea’s Economic Rebound is Projected to Continue. The Peninsula, Washington, DC, 21 jan. 2026. Disponível em: https://keia.org/the-peninsula/south-koreas-economic-rebound-is-projected-to-continue/.
    4. OEC (OBSERVATORY OF ECONOMIC COMPLEXITY). South Korea (KOR) Exports, Imports, and Trade Partners. Cambridge, MA: MIT Media Lab, 2024. Disponível em: https://oec.world/en/profile/country/kor
    5. OECD (ORGANISATION FOR ECONOMIC CO-OPERATION AND DEVELOPMENT). OECD Economic Outlook, Volume 2025 Issue 2. Paris: OECD Publishing, 2025. Disponível em: https://www.oecd.org/en/publications/oecd-economic-outlook-volume-2025-issue-2_9f653ca1-en.html
    6. STATISTA. Top Exporting Countries Worldwide 2017 | Statista. Statista. Disponível em: https://www.statista.com/statistics/264623/leading-export-countries-worldwide/
    7. TRADING ECONOMICS. South Korea GDP Growth Rate. Nova York: Trading Economics, 2026. Disponível em: https://tradingeconomics.com/south-korea/gdp-growth

  • Crise asiática de 1997

    Crise asiática de 1997

    A Coreia aderiu à Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em 1996 e deu um passo para se tornar um país economicamente avançado. No início do século XXI, a renda nacional bruta per capita da Coreia excedeu em muito à da maioria de seus vizinhos, com exceção do Japão e Taiwan (IM, 2022). Essas conquistas notáveis, no entanto, foram por vezes ofuscadas por dificuldades econômicas causadas tanto por fatores externos quanto internos, como a crise de 1997.

    Essa crise, também chamada de crise monetária do sudeste asiático (REIS, 2019), foi uma sequência de desvalorizações monetárias e de outros eventos que começaram no verão de 1997 e se espalharam por muitos mercados asiáticos. Os mercados cambiais falharam primeiro na Tailândia como resultado da decisão do governo de não mais indexar a moeda local ao dólar americano (USD). O declínio da moeda se espalhou rapidamente pelo Leste Asiático, causando, por sua vez, o declínio da bolsa de valores e a redução das receitas de importação.

    O problema foi exacerbado devido a empréstimos improdutivos em muitos bancos comerciais da Coreia. Em dezembro de 1997, o FMI havia aprovado um empréstimo de US$ 21 bilhões, que faria parte de um plano de resgate de US$ 58,4 bilhões (KOO; KISER, 2001). Em janeiro de 1998, o governo determinou o encerramento das atividades de um terço dos bancos comerciais da Coreia (KOO; KISER, 2001). Ao longo de 1998, a economia da Coreia continuaria a encolher trimestralmente a uma taxa média de 6,65% (KOO; KISER, 2001) e o chaebol sul-coreano Daewoo foi desmantelado pelo governo em 1999 devido a problemas de dívida.

    Fonte: Arquivos de Hankookilbo (1998)

    As ações do governo sul-coreano e as trocas de dívida por financiadores internacionais contiveram os problemas financeiros do país. Grande parte da recuperação da Coreia do Sul em relação à crise financeira asiática de 1997 pode ser atribuída a ajustes trabalhistas (isto é, um mercado de trabalho dinâmico e produtivo com taxas salariais flexíveis) e fontes alternativas de financiamento (KOO; KISER, 2001).

    No primeiro trimestre de 1999, o crescimento do PIB havia subido para 5,4%, e o forte crescimento depois disso combinado com a pressão deflacionária sobre a moeda levou a um crescimento anual de 10,5%. Em dezembro de 1999, o presidente Kim Dae-jung declarou que a crise da moeda havia terminado (KOO; KISER, 2001).

    Fontes:

    1. REIS, T. Crise asiática de 1997: entenda como aconteceu a crise dos Tigres Asiáticos, 9 Março 2019. Disponivel em: <https://www.suno.com.br/artigos/crise-asiatica/>. Acesso em: jun. 2022.
    2. KOO, Jahyeong; KISER, Sherry L. Recovery from a financial crisis: the case of South Korea. In: Internet Archive. Out. 2001. Disponível em: https://web.archive.org/web/20111108023544/http://findarticles.com/p/articles/mi_m0DKI/is_4_2001/ai_84799965/?tag=content%3Bcol1. Acesso em: dez. 2022
    3. “IMF 눈물의 비디오” 현장… 행원들 절규 맴돈다. Disponível em: <https://m.hankookilbo.com/News/Read/201411211693418673>. Acesso em: dez. 2022
  • Tigres Asiáticos

    Tigres Asiáticos

    A economia coreana, que era baseada na agricultura até os anos 1960, perseguiu uma maior dinâmica industrial no pós-Guerra da Coreia. Diversos planos econômicos foram inaugurados em 1962 e orientaram o desenvolvimento da manufatura leve para a exportação (MASIERO, 2000). O auxílio econômico recebido naquela época essencialmente dos Estados Unidos (EUA) e, depois, do Japão foi relevante para o crescimento da economia do país.

    Na década de 1970, foi empreendida uma maior industrialização no país, liderada pelos grandes conglomerados de propriedade familiar, as chaebols, levando a indústria coreana a produzir e exportar maquinários elétricos, automóveis, navios, produtos químicos ou semicondutores (MASIERO, 2000) em condições de alta competitividade no comércio internacional.

    Fonte: The Hankyoreh (hani.co.kr)

    A Coreia do Sul ficou conhecida no Ocidente como um dos Tigres Asiáticos, termo para designar as economias de alto crescimento entre 1960 e 1990 situadas na Ásia: Hong Kong, Cingapura, Coreia do Sul e Taiwan. Os quatro Tigres Asiáticos têm mantido consistentemente altos níveis de crescimento econômico desde os anos de 1960 e se juntaram coletivamente às fileiras das nações mais ricas do mundo. Hong Kong e Cingapura estão entre os mais proeminentes centros financeiros mundiais, enquanto a Coreia do Sul e Taiwan são centros essenciais para a fabricação global de automóveis e componentes eletrônicos, bem como de tecnologia da informação.

    Essas economias experimentaram um crescimento excepcionalmente forte entre os anos 1950 e 1990. Em 1950, o PIB per capita, renda média anual da sociedade, variava de US$ 850 na Coreia do Sul a US$ 2.220 em Hong Kong e Cingapura. Em 1980, o PIB per capita havia quase triplicado nesses países e, em 2010, havia crescido para US$ 21.700 na Coreia do Sul e US$ 30.720 em Hong Kong (ECHAVARRIA; ARIAS, 2017). Para uma comparação, a renda média anual nos EUA era de US$ 9.560 em 1950, US$ 18.580 em 1980 e US$ 30.490 em 2010.

    Fontes:

    1. MASIERO, Gilmar. A Economia Coreana: Características Estruturais, 2000. 1-30. Rio de Janeiro, 5-6 out. 2000. In: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Disponível em: https://www4.pucsp.br/geap/artigos/art6.PDF. Acesso em: dez. 2022.
    2. RETREPO ECHAVARRIA, Paulina; ARIAS, Maria A. Tigers, Tiger Cubs and Economic Growth. St. Louis, 25 maio 2017. In: Federal Reserve Bank of St. Louis. Disponível em: https://www.stlouisfed.org/on-the-economy/2017/may/tigers-tiger-cubs-economic-growth. Acesso em: dez. 2022.
    3. S. Korean chaebols comprise 84% of GDP but only 10% of jobs. Disponível em: <https://english.hani.co.kr/arti/english_edition/e_business/949236.html>.
  • Mercado financeiro sul-coreano

    Mercado financeiro sul-coreano

    A Coreia do Sul tem um dos sistemas financeiros mais desenvolvidos do mundo, que passou por uma modernização notável desde a crise financeira asiática de 1997. Embora o surto da pandemia da Covid-19 tenha levado a uma queda econômica inicial em 2020, o sistema financeiro coreano provou ser estável e resistente durante esse período.

    No centro do sistema financeiro do país está o Bank of Korea (Banco Central da Coreia), fundado em 1950 e emissor do won, a moeda sul-coreana. É uma das principais instituições financeiras do mundo e uns dos seus principais objetivos é controlar o PIB e a inflação no mercado coreano.

    Fonte: www.bok.or.kr

    A partir de novembro de 2021, o índice de estabilidade financeira (FSI) da Coreia do Sul atingiu 5,1 pontos, mostrando um aumento em comparação aos meses anteriores. O valor do índice atingiu o nível mais alto em abril de 2020 e caiu em seguida. Embora o surto da pandemia Covid-19 tenha levado a uma queda econômica inicial em 2020, o sistema financeiro da Coreia do Sul, mostra ser consistente. Outro fator são os títulos negociados na bolsa de valores sul-coreana, que os investidores podem negociar vários instrumentos na bolsa, incluindo ações, títulos, ETFs e cotas (trusts) de investimento imobiliário (Reits).

    A Bolsa de Valores da Coreia (KRX) é uma organização que fornece o ambiente para as empresas levantarem fundos por meio da emissão de títulos e os investidores revenderem seus papéis. Nela são operados o KOSPI e o KOSDAQ, mercados de negociação de ações. A KRX foi criada em 2005 com a fusão das três bolsas existentes: a Korea Stock Exchange (estabelecida em 1956), a KOSDAQ (estabelecida em 1996) e a Korea Futures Exchange. A KOSPI, por exemplo, concentra-se principalmente nas grandes empresas, ou blue chips.

    Bolsa de valores da Coreia: https://global.krx.co.kr/main/main.jsp

    Fontes:

    1. Bank of Korea. Disponível em: <https://www.bok.or.kr/eng/main/main.do>.
    2. KRX. Disponível em: <https://global.krx.co.kr/main/main.jsp>. Acesso em: dez. 2022.
  • Won (moeda coreana)

    Won (moeda coreana)

    O won coreano é a moeda nacional da Coreia. O código da moeda Won é KRW e o símbolo é ₩.

    Fonte: kr.freepik.com

    Já era a moeda antes de 1910, mas depois que o Japão anexou a península coreana à força o iene coreano serviu como moeda até o fim do período de dominação. Após a libertação nacional com o fim da Segunda Guerra Mundial, o won foi inicialmente fixado em 15 KRW por 1 USD e sofreu inúmeras desvalorizações após a Guerra da Coreia.

    O material das moedas mudou várias vezes ao longo das décadas, indo de latão no início para alumínio e bronze. Quando foram introduzidas, as moedas de 1, 5, 10, 50 e 100 won eram feitas de cobre com núcleo de alumínio.

    Em 2006, uma nota redesenhada de 5.000 won foi introduzida, e, em seguida, em 2007, saíram as novas edições das notas de 1.000 won e 10.000 won.

    Fonte: BOK (Bank of Korea) – Figura impressa: Yulgok Yi I (1536-1584), filósofo, político e escritor coreano
    Fonte: BOK (Bank of Korea) – Figura impressa: Rei Sejong, o Grande (r. 1418-1450)

    Em 2009, foi lançada a nota de 50.000 won, a nota em circulação que é a mais alta, apresentando recursos de segurança como marca d’água com um retrato e holograma 3D que muda de cor.

    Fonte: BOK (Bank of Korea) – Figura impressa: Shin Saimdang (1504-1551), pintora e caligrafista (mãe do filósofo Yulgok Yi I)

    Fontes:

    1. TAVERA, Iran. A quick look at the modern history of Korea’s currency. Seul, 29 out. 2020. In: Korea.net. Disponível em: https://www.korea.net/NewsFocus/HonoraryReporters/view?articleId=191240. Acesso em: dez. 2022.
    2. | Introduction to Banknotes | Currency in circulation | Currency | Bank of korea. Disponível em: <https://www.bok.or.kr/eng/main/contents.do?menuNo=400112>.
  • Milagre do Rio Han

    Milagre do Rio Han

    Até os anos 1960, a Coreia do Sul era um país pobre, de população predominantemente rural, e recebia ajuda externa, principalmente dos Estados Unidos.

    O grande desenvolvimento começa sob o governo de Park Chung-hee, no chamado Milagre do Rio Han. Programas voltados à modernização da indústria, ao aumento das exportações, ao incremento da infraestrutura e os maciços investimentos na educação inserem a Coreia do Sul no grupo dos chamados Tigres Asiáticos – economias emergentes da Ásia, de acelerado crescimento econômico entre os anos 1960 e 1990.

    Fonte: Korea.kr
    Fonte: Korea.kr

    Recomendação de artigos científicos:

    1. SILVA, Rodrigo Luiz Medeiros. Ciclos sistêmicos de acumulação e o “milagre do Rio Han”. Rev. Soc. Bras. Economia Política, São Paulo, v. 1, n. 29, p. 105-134, fev. 2011. Disponível em: https://revistasep.org.br/index.php/SEP/article/view/936. Acesso em: dez. 2022.
    2. LIMA, Uallace Moreira. O debate sobre o processo de desenvolvimento econômico da Coreia do Sul: uma linha alternativa de interpretação. Economia e Sociedade, Campinas, v. 26, n. 3(61), p. 585-631, dez. 2017. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ecos/a/6BW95ffZX6qx3CgdHtXVFzQ/?format=html&lang=pt. Acesso em: dez. 2022.
    Fonte: Korea.kr

    Fontes:

    1. CONSULADO Geral da República da Coreia em São Paulo. [República da Coreia] ECONOMIA 상세보기 | Informações Gerais. São Paulo, 12 fev. 2020. Disponível em: https://overseas.mofa.go.kr/br-saopaulo-pt/brd/m_6208/view.do?seq=755189&. Acesso em: dez. 2022.  
    2. [사진으로 보는 광복 60년 ⑬] “한강의 기적” 이룬 경제개발. Disponível em: <https://www.korea.kr/news/policyNewsView.do?newsId=75082134>. Acesso em: dez. 2022.