Categoria: Cultura Pop

  • E-sports

    E-sports

    Coreia do Sul: O epicentro global dos E-sports e da cultura gamer

    Enquanto o mundo ainda discutia se videogames poderiam ser considerados esportes, a Coreia do Sul já os tratava como prioridade nacional. Hoje, o país é consolidado como a quarta maior potência mundial do setor, com mais de 33 milhões de jogadores ativos e uma infraestrutura que serve de modelo para o planeta (ALLCORRECT GAMES, 2025).

    O domínio coreano começou nos anos 1990, quando o governo desregulamentou as telecomunicações e investiu massivamente em banda larga. Para preencher essa rede, o país apostou em conteúdo digital e jogos online. Esse movimento deu origem aos PC “Bangs” — cafés especializados que funcionam 24/7 com hardware de ponta e serviços de alimentação, tornando-se o “campo de treinamento” da juventude coreana (GLOBO ESPORTES, 2022).

    Fonte: Grande Gamer (2023)

    E-sports: Jogadores com status de divindade

    A Coreia é o berço do cenário competitivo profissional. Desde o fenômeno StarCraft no final da década de 1990 até o domínio absoluto em League of Legends, o país elevou jogadores ao status de celebridades nacionais.

    Desempenho de Elite: Em 2024, atletas sul-coreanos arrecadaram cerca de USD 11,8 milhões em prêmios globais. O país conta com 14 arenas exclusivas para competições de grande porte (ALLCORRECT GAMES, 2025).

    Reconhecimento Oficial: em 2000, foi criada a KeSPA (Korea e-Sports Association), uma entidade governamental que regula e profissionaliza o setor (GLOBO ESPORTES, 2022).

    A economia dos games na Coreia é robusta e resiliente. Com um PIB per capita superior a USD 36 mil, o país possui uma das maiores taxas de penetração de smartphones do mundo (97,5%), o que explica a dominância das plataformas móveis no faturamento total (ALLCORRECT GAMES, 2025).

    Para sustentar esse ecossistema, o governo alocou em 2024 mais de USD 50 milhões em subsídios e incentivos para desenvolvedoras locais, focando especialmente na exportação de títulos para mercados como Ásia, América do Norte e Europa.

    Mudança de Hábitos e Tendências Atuais

    O perfil do jogador coreano está em transformação. Se antes o foco eram os complexos e demorados MMORPGs, a tendência de 2025/2026 aponta para:

    • Jogos Casuais e Idle Games: formatos mais leves que se adaptam à rotina dinâmica da população.
    • Modelo “One Source Multi Use”: propriedades intelectuais que se expandem para webtoons, séries e produtos físicos, maximizando o engajamento.
    • Influência de Streamers: o YouTube e plataformas de streaming tornaram-se os principais canais de promoção de novos títulos, superando o marketing tradicional (ALLCORRECT GAMES, 2025).

    A Coreia do Sul de 2026 não apenas joga; ela dita as regras, as estéticas e os padrões competitivos que o restante do mundo tentará seguir nos próximos anos.

    Fontes:

    1. ALLCORRECT GAMES. The Gaming Market in South Korea 2025 | Allcorrect. Allcorrect Games. Disponível em: https://allcorrectgames.com/insights/the-gaming-market-in-south-korea-2025/
    2. GLOBO ESPORTES. Adversária na Copa, Coreia é referência em games e tem atletas de esports como ídolos. ge. Disponível em: https://ge.globo.com/esports/noticia/2022/12/05/adversaria-na-copa-coreia-e-referencia-em-games-e-tem-atletas-de-esports-como-idolos.ghtml
    3. GRANDE GAMER. Coreia do Sul a capital mundial do eSport. Grande Gamer. Disponível em: https://www.grandegamer.com/coreia-do-sul-a-capital-mundial-do-esport/
    4. STATISTA. Esports – South Korea | Statista Market Forecast. Statista. Disponível em: https://www.statista.com/outlook/amo/esports/south-korea?srsltid=AfmBOoofXOiOMceWU1LwXHoH8LOXitOlu3U_57hZcILVAR0yIh4y4T_Q

  • Literatura

    Literatura

    A ascensão da literatura coreana: do nicho ao Prêmio Nobel

    Se por muito tempo a Hallyu foi identificada quase exclusivamente pelo K-pop e pelos K-dramas, o cenário atual mostra que as letras coreanas finalmente conquistaram seu espaço. Esse movimento não é passageiro: a literatura da Coreia do Sul tem registrado um crescimento sólido e fascinante, inclusive no mercado editorial brasileiro e português.

    Fonte: CNN Brasil (2024)

    A trajetória das traduções para o português é um excelente termômetro dessa expansão. Segundo a pesquisadora Park (2019), o primeiro registro de uma obra coreana traduzida no Brasil data de 1985. Até 2019, o inventário era modesto, somando apenas 21 volumes entre Brasil (16) e Portugal (5).

    Fonte: Park (2019)  – *Traduções indiretas

    Entretanto, o que se viu entre 2020 e 2025 foi uma explosão editorial. Impulsionadas pelo interesse global na cultura coreana, grandes editoras brasileiras — como Companhia das Letras, Intrínseca e Faro Editorial — passaram a investir sistematicamente em autores do país, diversificando um catálogo que antes era quase invisível para o grande público.

    O marco histórico de Han Kang e o Nobel

    O reconhecimento definitivo veio em 2024, quando Han Kang (한강) foi laureada com o Prêmio Nobel de Literatura (NOBEL PRIZE, 2024). Primeira autora coreana a receber a honraria, Kang tornou-se o rosto dessa nova fase, com obras densas como A Vegetariana e Atos Humanos sendo traduzidas para mais de 40 idiomas e figurando nas listas de mais vendidos no Brasil.

    Além de Han Kang, outros nomes tornaram-se pilares dessa nova prateleira nas livrarias:

    • Cho Nam-Joo: Sua obra Kim Jiyoung, Nascida em 1982 tornou-se um manifesto sobre a condição feminina contemporânea.
    • Shin Kyung-sook: Autora do aclamado Por Favor, Cuide da Mamãe.

    O interesse dos leitores brasileiros não se restringe a um único gênero. O catálogo atual abrange desde o suspense psicológico e thrillers até a ficção especulativa e os romances históricos, que ajudam a retratar períodos cruciais da península coreana.

    Segue o artigo e indicações da CNN Brasil: https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/apos-k-pop-e-k-drama-nova-onda-de-literatura-sul-coreana-chega-ao-brasil/

    Fontes:

    1. CNN BRASIL. Após K-pop e K-drama, nova onda de literatura sul-coreana chega ao Brasil. CNN Brasil. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/apos-k-pop-e-k-drama-nova-onda-de-literatura-sul-coreana-chega-ao-brasil/
    2. PARK, Yun Jung Im. A Literatura Coreana no Brasil: quadro atual e desafios. Criação & Crítica, n. 24, p., out. 2019. Disponível em: https://pt.scribd.com/document/459013792/PARK-Yun-Jung-Im-A-Literatura-Coreana-no-Brasil-Quadro-Atual-e-Desafios

  • Hallyu (한류)

    Hallyu (한류)

    O que começou como uma resposta à influência ocidental pós-Segunda Guerra Mundial e ao rápido salto tecnológico das últimas décadas floresceu no que hoje conhecemos como Hallyu (한류). Literalmente traduzido como “à moda coreana”, o movimento é um híbrido fascinante: ele preserva o DNA da cultura tradicional enquanto abraça a modernidade frenética da sociedade sul-coreana contemporânea.

    Mais do que um fenômeno de fãs, a Hallyu tornou-se o principal instrumento de diplomacia da Coreia do Sul. Em 2024, o país manteve-se na 12ª posição no Global Soft Power Index, consolidando sua capacidade de influenciar o mundo sem o uso de força militar ou coerção econômica direta (BRAND FINANCE, 2025).

    Esse prestígio é sustentado por números impressionantes:

    Motor Econômico: o setor não apenas exporta cultura, mas gera divisas reais. Em 2024, as exportações de conteúdo cultural atingiram US$ 37,9 bilhões, colocando a Coreia como a 4ª maior potência mundial no setor (Chosun, 2026).

    Alcance Global: a base de fãs ultrapassou a marca de 225 milhões de pessoas espalhadas por 120 países em 2023 — um salto significativo em relação aos 156 milhões de 2021 (Korea Foundation, 2024).

    Além das telas e dos palcos: a diversificação do “K-“

    Embora o K-pop e os K-dramas tenham aberto as portas, a onda se diversificou para todos os aspectos do consumo global. Hoje, a Hallyu é um ecossistema completo:

    • K-Beauty e K-Fashion: a estética coreana dita tendências globais de cuidados com a pele e moda urbana.
    • K-Food: a gastronomia deixou de ser nicho para se tornar uma preferência mundial.
    • K-Literatura e Webtoons: a exportação de histórias em quadrinhos digitais e literatura traduzida conquistou mercados antes dominados pelo eixo EUA-Europa.

    Para se aprofundar no tema

    Se você busca entender as engrenagens por trás desse crescimento, sugerimos dois materiais audiovisuais:

    1) Do K-pop a Round 6: Conheça a HALLYU – a Onda de Cultura Coreana que não para de crescer (elaborado por Estudar Fora/entrevista com a profa. Han Na Kim, da ESPM):

    2) Hallyu: a cultura da Coreia do Sul que se tornou moeda econômica e política (elaborado por Portal Uai – Jornal Estado de Minas/ entrevistas com Aline Santana – mestre UFPR, Felipe “Fefo” Caires – jornalista e youtuber, Carol Akioka e Naira Nunes – revista KoreaIN):

      Fontes:

      1. BRAND FINANCE. Global Soft Power Index 2025. Londres: Brand Finance, 2025. Disponível em: https://brandfinance.com/insights/global-soft-power-index
      2. BRAND FINANCE. Hallyu wave lifts South Korea in Global Soft Power Index 2025 | Press Release | Brand Finance. Brand Finance. Disponível em: https://brandfinance.com/press-releases/hallyu-wave-lifts-south-korea-in-global-soft-power-index-2025
      3. CHOSUN. K-Culture Exports Rank Fourth, Surpass $37.9 Billion. The Chosun Daily. Disponível em: https://www.chosun.com/english/travel-food-en/2026/01/01/3BQZVGCREREL7G2TIK6J7SHJTQ/
      4. ESTUDAR FORA. Do K-pop a Round 6: Conheça a HALLYU – a Onda de Cultura Coreana que não para de crescer. YouTube. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=yd6Ho7tVrWQ
      5. KOREA FOUNDATION. 한국국제교류재단 KF. Kf.or.kr. Disponível em: https://kf.or.kr/kfNewsletter/mgzinSubViewPage.do?mgzinSubSn=27283&langTy=ENG
      6. PORTAL UAI. Hallyu: a cultura da Coreia do Sul que se tornou moeda econômica e política. YouTube. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=6G6NMWkGgxA

    1. K-pop

      K-pop

      A influência do Ocidente após a II Guerra Mundial e o intenso desenvolvimento tecnológico das últimas décadas criaram uma vigorosa cultura popular na Coreia do Sul, divulgada por mídias eletrônicas e redes sociais, no movimento Hallyu. Também chamada Korean wave (onda coreana), a Hallyu mescla a cultura tradicional com o moderno modo de vida da sociedade sul-coreana. O movimento engloba diferentes manifestações voltadas principalmente ao entretenimento, como novelas, séries e música, e é importante ferramenta de divulgação da cultura sul-coreana no exterior e, assim, movimenta a indústria cultural do país. Estima-se que os fãs da Hallyu já ultrapassem 35 milhões de pessoas em cerca de 90 países, principalmente da Ásia e da Oceania.

      A Hallyu trouxe o K-pop, estilo musical surgido no final dos anos 1990, que segue diferentes ritmos, como hip-hop, rap e R&B. O K-pop transformou a Coreia do Sul no 13º maior mercado musical do mundo, ainda em 1997. E, em 2002, os sul-coreanos mantinham a 2ª maior indústria de produção musical da Ásia.

      Do Trot ao fenômeno global: a metamorfose cultural da Coreia do Sul

      O que hoje conhecemos como K-pop é, na verdade, o resultado de um século de transformações profundas e, por vezes, contraditórias na península coreana. De uma nação que iniciou o século XX sob domínio colonial japonês e enfrentou as cinzas da Guerra da Coreia, a Coreia do Sul emergiu como a 4ª maior potência musical do mundo, segundo Ranking global de poder de exportação musical de 2025 (Billboard, 2026). Mas esse sucesso não é apenas sobre música; é sobre a construção de uma marca global — a Brand Korea.

      A identidade sonora coreana passou por várias camadas de influência. Após a libertação do domínio japonês em 1945, a presença das Forças Armadas dos EUA introduziu o jazz, o pop e o rock. No entanto, a Coreia não se “ocidentalizou” passivamente. Nos anos 70, enquanto a elite flertava com a música clássica europeia, as massas urbanas consumiam o Trot (트로트), mantendo vivas as raízes folclóricas no interior.

      A ruptura estética definitiva veio em 1992 com Seo Taiji and the Boys. Ao fundir o hip-hop americano com a língua coreana, eles pavimentaram o caminho para o que chamamos de “Onda Coreana 2.0”. O K-pop criou um produto que, paradoxalmente, conquista o mundo por não soar “tradicionalmente coreano” (Billboard, 2025).

      Fonte: Kpopworld (2025)

      Domínio Global e Números de 2025

      Hoje, o K-pop é a locomotiva de uma indústria cultural que exportou mais de US$ 37,9 bilhões em 2024, colocando a Coreia como a 4ª maior exportadora de cultura do planeta (Chosun, 2026). O ano de 2025 consolidou uma mudança de paradigma: a receita vinda de turnês mundiais passou a superar, em diversos casos, a venda de álbuns físicos.

      • Gigantes do Palco: Grupos como SEVENTEEN e Stray Kids lideraram o “boom” das turnês globais em 2025, quebrando recordes históricos de bilheteria (Forbes, 2025).
      • Influência Contínua: Mesmo com membros cumprindo o serviço militar, o BTS mantém sua hegemonia, enquanto grupos da quarta geração — como NewJeans, TXT, IVE e Le Sserafim — dominam o topo da Billboard e as paradas digitais (Billboard, 2025).

      O Ecossistema K: música, tela e prestígio

      A ascensão musical serviu como porta de entrada para um consumo desenfreado de outros produtos da Hallyu. O impacto do K-pop retroalimenta o interesse por produções audiovisuais de prestígio, como o filme Parasita (vencedor do Oscar) e a série Round 6, que em 2025 já é citada como um marco histórico por ter sido a primeira produção não-inglesa a vencer prêmios principais no Emmy.

      Atualmente, o “K” em K-pop funciona menos como um descritor étnico e mais como um selo de qualidade industrial. De Seul a São Paulo, a disseminação global através das redes sociais transformou artistas coreanos em embaixadores culturais de uma nação que aprendeu a exportar sua própria modernidade.

      Fonte: Billboard (2025)

      Fontes:

      1. BILLBOARD. 17 Ways K-Pop Proved More Global Than Ever in 2025. Billboard. Disponível em: https://www.billboard.com/lists/k-pop-more-global-than-ever-2025-year-end-review
      2. BRASIL, Billboard. Brasil sobe no ranking global de poder de exportação musical em 2025 – Billboard Brasil. Billboard Brasil. Disponível em: https://billboard.com.br/brasil-ranking-global-poder-exportacao-musical-2025/
      3. CHOSUN. K-Culture Exports Rank Fourth, Surpass $37.9 Billion. The Chosun Daily. Disponível em: https://www.chosun.com/english/travel-food-en/2026/01/01/3BQZVGCREREL7G2TIK6J7SHJTQ/
      4. CONSULADO GERAL DA REPÚBLICA DA COREIA EM SÃO PAULO. [República da Coreia] Cultura Contemporânea. São Paulo, 14 fev. 2020. Disponível em: https://overseas.mofa.go.kr/br-saopaulo-pt/brd/m_6208/view.do?seq=755191
      5. FORBES. K-Pop’s Live Touring Boom 2025: SEVENTEEN, Stray Kids, BTS, BLACKPINK. Forbes. Disponível em: https://www.forbes.com/sites/jeffbenjamin/2025/05/31/k-pops-live-boom-2025-seventeens-record-gross-a-promising-2nd-half/
      6. IFPI. Global Music Report 2025. [s.l.: s.n.], 2025. Disponível em: https://www.ifpi.org/wp-content/uploads/2024/03/GMR2025_SOTI.pdf
      7. KPOPWORLD. Seo Taiji and Boys: Pioneers of K-Pop’s Future. Kpopworld.com. Disponível em: https://kpopworld.com/en/news/seo-taiji-and-boys-pioneers-of-k-pops-future

    2. Resenha: Kim Jiyoung, nascida em 1982

      Resenha: Kim Jiyoung, nascida em 1982

      Kim Jiyoung, nascida em 1982, é um livro sul coreano escrito pela ex-roteirista de televisão Cho Nam-Joo e publicado em outubro de 2016. A autora descreve o livro como “mais corajoso do que eu” por abordar assuntos como desigualdade de gênero, discriminação e assédio no trabalho e a preferência por filhos homens que ainda perpetua na Coreia do Sul.

      Desde seu lançamento já foram vendidos mais de 1 milhão de cópias e foi traduzido para 18 idiomas, sendo a editora Intrínseca a responsável pela tradução em português.

      Fonte: Amazon.com.br

      Baseado na experiência da própria autora, o livro narra a história de Kim Jiyoung, uma mulher comum, casada e mãe de uma menina que, após largar o emprego em uma agência de marketing, passa a se dedicar totalmente a cuidar da casa e da filha. No entanto, ao longo das páginas, a autora nos apresenta uma narrativa realística de como a protagonista é desfavorecida em diversos cenários de sua vida apenas por ser mulher.

      Resumo

      O livro aborda a história de Kim Jiyoung, uma mulher e mãe que abdica do seu trabalho para cuidar integralmente da filha e casa. A história se desenvolve a partir de uma consulta psiquiátrica da protagonista, que ocorre depois que ela passa a personificar vozes de outras mulheres. No entanto, é nessa consulta que é possível conhecer mais da trajetória de Kim numa sociedade extremamente machista desde a sua gestação até a vida adulta.

      Sumário do livro

      1. Outono de 2015

      2. Infância, 1982-1994

      3. Adolescência, 1995-2000

      4. Início da vida adulta, 2001-2011

      5. Casamento, 2012-2015

      6. 2016

      Sobre a autora

      Cho Nam-Joo nasceu em Seul, em 1978, possuindo atualmente 44 anos. Foi roteirista de televisão e teve que largar o emprego para se tornar dona de casa depois do nascimento de seu filho. Ela se baseou na própria experiência de vida para escrever seu terceiro romance, Kim Jiyoung, nascida em 1982, lançado em 2016. É também autora dos livros Her name is e Sasha Mansion. Cho se formou na Ewha Woman’s University em 2001 e recebeu o prêmio de Hwangsanbeol Award for Young Adult Literature.

      Impacto e peso de gênero na Coreia do Sul

      Kim Jiyoung, nascida em 1982 teve um grande impacto nas discussões sobre desigualdade de gênero e discriminação no país, gerando uma grande polêmica em seu ano de publicação, contudo o livro se tornou um enorme sucesso, virando um fenômeno de venda tanto nacional quanto internacional. A obra traz um excelente panorama sobre a sociedade patriarcal coreana e sobre questões culturais. Apesar de ser fictício, o livro apresenta um viés científico devido às notas de rodapé que trazem dados que sustentam a discriminação de gênero no país, além de dados que retratam marcos históricos, culturais e políticos. Sua narrativa fria mostra que a personagem poderia ser qualquer mulher, possibilitando uma imersão e compreensão maiores, viabilizando também delinear paralelos culturais e políticos com diversos países, inclusive o Brasil.

      Matérias brasileiras sobre o impacto do livro

      Devido a sua grande repercussão mundial, vários jornais e revistas brasileiros elaboraram matérias sobre a obra, como a Carta Capital, no segmento de cultura com A desigualdade de gêneros na Coreia do Sul retratada por Cho Nam-Joo; o Rascunho, jornal de literatura do Brasil, com “Romance de Cho Nam-Joo expõe machismo estrutural da Coreia do Sul”, e o Estadão, também no segmento de cultura, com “Cho Nam-Joo: ‘O mundo muda quando a mulher tem mais voz ativa’”, entre outros.

      Adaptação cinematográfica

      Uma adaptação cinematográfica do livro foi lançada em 2019. O filme foi dirigido por Kim Bo-Young e distribuído pela Lotte Entertainment, e seu elenco conta com Jung Yu-Mi, Gong Yoo, Kim Sung-Cheol e Gong Min-Jeung. A adaptação recebeu os prêmios Grand Bell Award for Best Actress e Baeksang Arts Award for Best New Film Director, além de possuir uma bilheteria de 27,7 milhões de dólares.

      Fontes:

      1. https://www.intrinseca.com.br/autor/592/
      2. http://www.delivroemlivro.com.br/2022/07/kim-jiyoung-nascida-em-1982-cho-nam-joo.html
      3. https://www.cartacapital.com.br/cultura/a-desigualdade-de-generos-na-coreia-do-sul-retratada-por-cho-nam-joo/
      4. https://cultura.estadao.com.br/noticias/literatura,cho-nam-joo-o-mundo-muda-quando-a-mulher-tem-mais-voz-ativa,70004060894
      5. https://rascunho.com.br/noticias/romance-de-cho-nam-joo-expoe-machismo-estrutural-da-coreia-do-sul/
      6. In This Korean Best Seller, a Young Mother Is Driven to Psychosis – The New York Times (nytimes.com)
      7. South Korean author Cho Nam-joo: ‘My book is braver than I am’ | Fiction | The Guardian
      8. Kim Jiyoung, Nascida em 1982: uma história cortada pelo machismo (valkirias.com.br)
    3. K-beauty

      K-beauty

      A Hallyu impõe também uma estética própria, a K-beauty, baseada na imagem dos ídolos do K-drama, K-movie e, principalmente, K-pop, que impulsiona o mercado sul-coreano de cosméticos, competindo de igual para igual com a indústria estrangeira.

      Segundo uma matéria publicada na UOL (2017), a Coreia do Sul está à frente em termos de inovação, pesquisa, ingredientes e embalagens de cosméticos. Os números comprovam o interesse crescente do mercado internacional pelos produtos coreanos e, por trás desse boom – ou como os analistas gostam de chamar, dessa corrida ao ouro que se tornou o mercado de beleza coreano, existe planejamento, muita pesquisa e apoio do governo. A Coreia é o quinto país que mais investe em P&D (pesquisa e desenvolvimento) na indústria – de acordo com o Industrial Research Institute, destinou a ela bilhões de dólares, criando um cenário perfeito para que as marcas criem e testem suas inovações, que incluem fórmulas, ingredientes, processos e embalagens.

      Fonte: https://k-beautyexpo.co.kr/fairBbs.do?selAction=view&FAIRMENU_IDX=11850&BOARD_IDX=56326&BOARD_NO=&selPageNo=1&hl=KOR

      Em 2021, segundo Statista, o país exportou US$ 4,71 bilhões em cosméticos de cuidados com a pele (skin care), em um ritmo que vem aumentando ano a ano.

      Fonte: Statista, 2022

      Segundo UOL (2017), alguns fatores contribuíram para a formação de K-beauty:

      1 – O consumidor local é conhecido por ser muito exigente quanto aos resultados prometidos pelos produtos;

      2 – A mulher coreana, para quem uma pele perfeita é o principal ideal de beleza, gasta duas vezes mais de seu salário com produtos do que as americanas;

      3 – As marcas coreanas adotaram um meio desenvolvimento de produtos muito mais rápido do que as marcas ocidentais. Assim, com planejamento e investimento no setor, um grande número de startups do segmento surgiu em um mesmo período e trouxe seus produtos para o ocidente através de e-commerces;

      4 – As pesquisas e testes com novos ingredientes colocam a Coreia lá na frente. Eles usam elementos (bem) incomuns e processos diferentes como a fermentação (um processo metabólico que converte o açúcar em ácidos e enzimas usando levedura ou bactérias);

      5 – Estão sempre desenvolvendo produtos com novas técnicas de aplicação, como por exemplo, os cushion compacts;

      6 – As marcas coreanas também aproveitam com sabedoria a influência das redes sociais para engajar o consumidor. Em alguns mercados, o digital já ultrapassou a mídia tradicional quando o público busca por informação de beleza;

      7 – As embalagens são criadas para serem muito atraentes ou informativas para fazer o consumidor querer comprar tudo; e,

      8 – Por fim, mas não menos importante, as marcas coreanas têm ótimo custo-benefício. Há uma oferta enorme que custa em torno de US$ 20.

      Um breve histórico de K-Beauty

      Segundo um artigo do Mapa Mundi (2021), o mercado de cosméticos e maquiagem, mais conhecido como K-Beauty, se espalhou pelo mundo, concorrendo com as tradicionais empresas norte-americanas e europeias da área. Grande parte do boom de interesse nestes tipos de produtos deve-se principalmente a dois fatores: a influência dos K-idols (como são conhecidos os cantores de música popular coreana) e seus estilos de moda, cabelo e maquiagem.

      No entanto, não é de hoje que a população coreana se preocupa com a aparência. As tradições de embelezamento e cuidados com a pele no país datam da época dos Três Reinos da Coreia (57 a.C.–668 d.C.), com grandes influências do budismo e do confucionismo. Pelos ensinamentos e práticas da ideologia confucionista, acreditava-se que beleza do corpo e da alma formavam um sistema único. Seguindo esta linha de pensamento, uma alma bela só habitaria um corpo belo e vice-versa. Desse modo, via-se a maquiagem então como uma forma de melhorar a beleza não somente do superficial, do externo, mas também do interno. Por este motivo, tanto as mulheres como os homens tinham o costume de se embelezarem.

      Após a unificação destes reinos, durante a dinastia Goryeo (918–1392), foi quando a cultura da maquiagem atingiu seu auge. Essa região ficou conhecida como a pioneira não só do desenvolvimento de técnicas da pintura facial, mas também na propagação desses ensinamentos para as outras regiões próximas.

      Para aparentar uma pele saudável e ressaltar a classe social era essencial preservar a pele branca e aveludada, como forma de demonstrar posses, já que a aristocracia podia desfrutar do luxo de ficar a maior parte do tempo dentro de casa e não no sol árduo como a maioria dos camponeses da época, mantendo, assim, uma pele branca como neve. Para isso também eram utilizados pó de arroz ou milhete para branquear a pele, ruge feito de pó de rosas e cera de abelha para salientar bochechas rosadas, redução de flores para fazer batons e óleos de sementes e plantas para deixar os cabelos sedosos. A maioria dos produtos era feita em casa.

      A indústria e o mercado de maquiagem só começaram a emergir no final do período Joseon (1392–1910). De acordo com alguns registros, havia mercadores que passavam de casa em casa para vender maquiagens, acessórios ou produtos para o cabelo.

      Atualmente tais cuidados, principalmente com a pele, continuam muito presentes na cultura coreana. As crianças aprendem na pré-escola a aplicar o protetor solar e a proteger a pele. Já entres os jovens e os adultos, a rotina passa a envolver muitos passos além da básica lavagem do rosto com água e sabão, se diversificando entre óleos e géis de limpeza, séruns, tônicos, vitaminas, cremes e máscaras faciais. Outro ponto interessante é que, diferentemente de outros países onde impera uma cultura machista em relação ao nicho de cosméticos masculinos, na Coreia a quantidade de homens adeptos da rotina de cuidados é a maior do mundo. Uma vez que na sociedade as primeiras impressões das pessoas são muito importantes, uma pele impecável deve fazer parte de todo e qualquer plano para subir na vida, seja no amor seja no trabalho.

      Se quiser saber mais detalhes da História de K-beauty, siga o link: https://mapamundi.org.br/2021/o-mercado-de-cosmeticos-coreano-passado-presente-e-futuro/

      Fontes:

      1. CONSULADO Geral da República da Coreia em São Paulo. [República da Coreia] CULTURA CONTEMPORÂNEA 상세보기 | Informações Gerais. São Paulo, 14 fev. 2020. Disponível em: https://overseas.mofa.go.kr/br-saopaulo-pt/brd/m_6208/view.do?seq=755191&page=1. Acesso em: dez. 2022.
      2. K-Beauty: tudo sobre o boom dos cosméticos coreanos + lista de marcas. Disponível em: <https://ffw.uol.com.br/noticias/moda/k-beauty-tudo-sobre-o-boom-dos-cosmeticos-coreanos-lista-de-marcas/>. Acesso em: jan. 2023.
      3. South Korea: skin care cosmetics export value 2021. Disponível em: <https://www.statista.com/statistics/1207777/south-korea-skin-care-cosmetics-export-value/>.
      4. K-뷰티엑스포 킨텍스에서 화려한 개막. Disponível em: <https://k-beautyexpo.co.kr/fairBbs.do?selAction=view&FAIRMENU_IDX=11850&BOARD_IDX=56326&BOARD_NO=&selPageNo=1&hl=KOR>. Acesso em: jan. 2023.
      5. The Korean cosmetics market: past, present and future. Disponível em: <https://mapamundi.org.br/2021/o-mercado-de-cosmeticos-coreano-passado-presente-e-futuro/>. Acesso em: dez. 2022.
    4. K-movie

      K-movie

      O K-movie refere-se às produções cinematográficas sul coreanas, que são hoje reconhecidas mundialmente e premiadas nos principais festivais de cinema, como Cannes e Berlim.

      Segundo a professora Ivonete Pinto (2022), do curso de Cinema e Audiovisual e Cinema de Animação na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), a trajetória do cinema coreano começa oficialmente em 1903, com as primeiras exibições no país. O primeiro filme produzido na Coreia foi o “The Righteous Revenge” (의리적 구토), do diretor Kim Do-san, em 1919. Para se chegar ao cinema sul coreano atual, é preciso lembrar que a produção sofreu uma estagnação a partir dos anos 1960, só restabelecendo-se nos anos 1990. Rápidos tanto quanto na sua recuperação do pós-guerra, já em 2001, os filmes coreanos comemoraram um market share que ultrapassou pela primeira vez os 50% da bilheteria nacional, conforme dados oficiais do Korean Film Council. Os títulos Swiri (Kang Je-kyu, 1999), Joint Security Area/JSA (Park Chan-wook, 2000) e Friend (Kwak Kyung-taek, 2001) ultrapassaram os 10 milhões de espectadores. Os blockbusters da Coreia inauguraram a era do que eles chamam de “filmes bem-feitos”, que se sustentam na qualidade de produção, de roteiro e direção.

      Fonte: The Movie Database

      Fontes:

      1. CONSULADO Geral da República da Coreia em São Paulo. [República da Coreia] CULTURA CONTEMPORÂNEA 상세보기 | Informações Gerais. São Paulo, 14 fev. 2020. Disponível em: https://overseas.mofa.go.kr/br-saopaulo-pt/brd/m_6208/view.do?seq=755191&page=1. Acesso em: dez. 2022.
      2. PINTO, Ivonete. Cinema coreano – A fronteira da sanidade. Teorema (Porto Alegre), v. 18, p. 05-10, 2011. Disponível em: https://www.academia.edu/9964415/Cinema_coreano_A_fronteira_da_sanidade. Acesso em: dez. 2022.
      3. The Movie Database. Disponível em: <https://www.themoviedb.org/movie/496243/images/posters?image_language=pt&language=ko-KR>. Acesso em: dez. 2022.
    5. K-drama

      K-drama

      Parte importante da Hallyu, o K-drama é a produção de novelas e séries transmitidas por TV, no início dos anos 2000, que logo ganharam público em outros países.

      Segundo Pastemagazine (2022), o conteúdo coreano contém diversos gêneros e tipos de histórias, mas o formato “K-drama”, centrado no romance, começou a se tornar popular em todo o mundo a partir de meados da década de 1990, quando a Coreia começou a investir mais pesadamente em suas indústrias de entretenimento como uma estratégia econômica, após a crise financeira asiática de 1997. Muitos dos primeiros sucessos de exportação da cultura pop coreana vieram de outros países do Leste Asiático, e é por isso que o termo “Hallyu” vem de uma frase chinesa que significa “onda coreana”.

      Segundo Tecmundo (2022), o sucesso da série Round 6 (ou Squid Game), lançada pela Netflix em 2021, além do Oscar de Melhor Filme de Parasita (2019), continuam a despertar a curiosidade do público para conteúdos coreanos, sejam produções seriadas ou filmes. Diferenciando-se de um “dorama”, que é basicamente uma série japonesa, um K-drama é basicamente uma série produzida na Coreia do Sul: alguns exemplos bastante famosos incluem “Boys Before Flowers” (꽃보다 남자), “Crash Landing on You” (사랑의 불시착), O Rei de Porcelana (The King’s Affection 연모) e Uma Advogada Extraordinária (이상한 변호사 우영우). A gigante do streaming netflix vem apostando alto nesses conteúdos e, semanalmente, novos K-dramas chegam à plataforma. Os K-dramas podem ter até 25 episódios em uma única temporada, com cada capítulo podendo superar facilmente a marca de 45 minutos, chegando até a ultrapassar a marca de uma hora por episódio.

      Fonte: 사랑의 불시착. Disponível em: <http://program.tving.com/tvn/cloy/>

      Fontes:

      1. CONSULADO Geral da República da Coreia em São Paulo. [República da Coreia] CULTURA CONTEMPORÂNEA 상세보기 | Informações Gerais. São Paulo, 14 fev. 2020. Disponível em: https://overseas.mofa.go.kr/br-saopaulo-pt/brd/m_6208/view.do?seq=755191&page=1. Acesso em: dez. 2022.  
      2. What Makes K-Dramas So Popular? Disponível em: <https://www.pastemagazine.com/tv/k-drama-popularity-explained-romance-tv-shows/>. Acesso em: dez. 2022.
      3. K-drama, C-drama, TW-drama e doramas: qual é a diferença? Disponível em: <https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/237049-k-drama-c-drama-tw-drama-doramas-diferenca.htm>. Acesso em: dez. 2022.
      4. 사랑의 불시착. Disponível em: <http://program.tving.com/tvn/cloy/>. Acesso em: dez. 2022.