A presença coreana no Brasil completou mais de seis décadas de história oficial, mas suas raízes são ainda mais antigas e curiosas. Embora o marco zero seja o dia 12 de fevereiro de 1963, pequenos grupos já haviam desembarcado antes: desde prisioneiros da Guerra da Coreia em busca de recomeço nos anos 1950 até registros isolados de famílias que chegaram junto à imigração japonesa ainda em 1918.


A transição do campo para a cidade
Os 103 pioneiros que chegaram pelo Porto de Santos em 1963 vieram sob um acordo entre governos para atuar na agricultura. No entanto, o sonho do cultivo esbarrou na precária infraestrutura rural da época. Esse obstáculo forçou uma mudança estratégica: a busca por oportunidades nas cidades.
Segundo Monteiro e Bastos (2011), foi essa migração interna que consolidou a comunidade em bairros centrais de São Paulo, onde os imigrantes se reinventaram até dominar o setor de confecção e comércio de roupas prontas — marca registrada da colônia até hoje.
A Comunidade em 2025: identidade e preservação
Hoje, o Brasil abriga entre 50.000 e 60.000 coreanos e descendentes (CONSULADO DA COREIA, 2025). A “Coreia Brasileira” bate no coração de São Paulo, com o Bom Retiro, o Brás e a Aclimação servindo como centros de resistência e celebração cultural. Embora o setor têxtil ainda seja um pilar tradicional, a nova geração diversificou o legado.
Atualmente, vemos uma presença forte em:
- Serviços e Tecnologia: profissionais liberais de alto nível e empresas de eletrônicos.
- Gastronomia e Educação: restaurantes típicos e escolas de idiomas que atendem tanto a colônia quanto brasileiros interessados na cultura.
A manutenção dessas raízes conta com o apoio vital de instituições como o Centro Cultural Coreano e associações comunitárias, que garantem que feriados como o Seollal (Ano Novo Lunar) e o Chuseok continuem vivos no calendário paulistano.
O Efeito Hallyu e a Nova Integração
Um fator recente que transformou essa relação foi a Hallyu. A Onda Coreana não apenas reconectou os descendentes com sua origem, mas também criou uma ponte inédita com o público brasileiro, elevando o interesse pela língua e pelos costumes locais.

Se você deseja visualizar essa trajetória, recomendo estes materiais que documentam diferentes fases da imigração:
Passeio pelo Bom Retiro: Reduto coreano com Paulo Shin. Assista aqui. https://www.youtube.com/watch?v=rLveRo0Wlac
Breve História (Museu da Imigração): Um panorama essencial para entender as origens. Assista aqui. https://www.youtube.com/watch?v=vAR0m_aWomQ
Museu da Imigração (2021): Coreia do Sul | Breve história dos imigrantes coreanos no Brasil
Fontes:
- CONSULADO GERAL DA REPÚBLICA DA COREIA EM SÃO PAULO. Comunidade Coreana no Brasil. São Paulo, 2025. Disponível em: https://overseas.mofa.go.kr/br-saopaulo-ko/index.do.
- DANIELA FILOMENO | VIAGEM&GASTRONOMIA. PASSEIO PELO BOM RETIRO: Reduto coreano com Paulo Shin. YouTube. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=rLveRo0Wlac
- HISTORY.GO.KR (재외동포사총서) 한국사 총설 DB. History.go.kr. Disponível em: https://db.history.go.kr/id/oksr_006_0030_0020_0020
- MONTEIRO, R.; BASTOS, S. Imigração coreana: A questão da reemigração e do retorno. Travessia: Revista do Migrante, São Paulo, n. 70, p. 31-44, 2011. Disponível em: https://travessia.emnuvens.com.br/travessia/article/download/484/444.
- MUSEU DA IMIGRAÇÃO. Coreia do Sul | Breve história dos imigrantes coreanos no Brasil. São Paulo: Museu da Imigração, 2021. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=vAR0m_aWomQ.
