O taekkyeon (택견) é uma luta que segue movimentos ritmados, semelhantes aos da capoeira. A primeira menção a essa arte marcial data do final do século XVIII. A luta é considerada Patrimônio Imaterial da Humanidade pela Unesco, desde 2011.
Fonte: heritage.unesco.or.kr
Como uma das artes marciais tradicionais sobreviventes desenvolvidas na Coreia, o taekkyeon é bastante diferente do taekwondo e costumava ser conhecido por vários nomes diferentes, como gakhui (“esporte das pernas”) e bigaksul (“arte de voar”), que sugerem relação com o movimento do chute. Como a maioria das outras artes marciais em que as armas não são usadas, o taekkyeon visa aprimorar as técnicas de autodefesa e promover a saúde física e mental através da prática de dança corporal orquestrada.
Os participantes são incentivados a se concentrar mais na defesa do que no ataque e a jogar o oponente no chão usando as mãos e os pés ou pular e dar um chute na cara dele para vencer uma partida.
Fonte: SERVICE (KOCIS), K. C. AND I. UNESCO Heritage in Korea : Korea.net : The official website of the Republic of Korea. Disponível em: <https://www.korea.net/AboutKorea/Culture-and-the-Arts/UNESCO-Treasures-in-Korea>.
Entre os esportes tradicionais que foram revividos nos tempos modernos, a arte marcial do taekwondo (태권도) foi a que ganhou maior notoriedade e é amplamente praticada em todo o mundo.
É a única modalidade olímpica que se originou na Coreia.
Otaekwondoutiliza todo o corpo, em particular as mãos e os pés. Ele não só fortalece o bem-estar físico, mas também educa o caráter via treinamento físico e mental, juntamente com técnicas de disciplina. Essa arte marcial de autodefesa tornou-se um esporte popular internacional no último quarto de século, com cerca de 3.000 instrutores coreanos que ensinam otaekwondo em mais de 150 países.
Jesa (제사) é um ritual de comemoração para homenagear os antepassados falecidos e fazer uma reflexão sobre a sua origem. Portanto, durante a cerimônia, faz-se toda a reverência como se o antepassado falecido estivesse presente, para que possam receber as bênçãos destes, além de ensinar aos filhos e sucessores a piedade filial e o respeito aos mais velhos.
Charye (차례) é um serviço memorial para os ancestrais que é realizado durante Seollal (Dia do Ano Novo Lunar), Chuseok (Festa da Colheita) e outros feriados coreanos tradicionais. É uma forma de adoração ancestral e uma expressão de gratidão aos antepassados.
Fonte: NFM (National Folk Museum of Korea)
Fonte: National Folk Museum of Korea – 영어 > Collection > Folk story > Traditional Rites and Rituals > What is Jesa (Ancestral Rite)? Disponível em: <https://www.nfm.go.kr/english/subIndex/1049.do>.
Durante o reinado do Rei Sejong, o Grande (세종대왕) (r. 1418-1450), quarto monarca da dinastia Joseon, a Coreia desfrutou de um florescimento sem precedentes da cultura e da arte. Sob a orientação do Rei Sejong, estudiosos da Academia Real criaram o alfabeto coreano Hangul (한글).
Fonte: Seoul.go.kr
O Rei Sejong tinha também muito interesse em ciência astronômica e relógios de sol, relógios de água, globos celestes e mapas astronômicos foram produzidos a seu pedido.
Conheça um pouco mais sobre o Rei Sejong, neste vídeo da Embaixada da República da Coreia:
Fonte:
Centro Cultural Coreano no Brasil. Disponível em: <https://brazil.korean-culture.org/pt/143/korea/45>. Acesso em: dez. 2022.
O manuscrito publicado em 1446 foi chamado de “Hunminjeongeum” (훈민정음), que significa “sistema fonético adequado para educar o povo”. Além de ser o nome do manuscrito que explica o novo alfabeto, “Hunminjeongeum” é também o nome do sistema fonético criado pelo Rei Sejong (atualmente chamado de Hangul).
O “Hunminjeongeum”(훈민정음) foi registrado como Patrimônio documental do Programa de Registro de Memória do Mundo da Unesco em 1997.
Fonte: Korean.go.kr
Fonte: 알고 싶은 한글 Disponível em: <https://www.korean.go.kr/eng_hangeul/principle/001.html>.
O alfabeto coreano foi criado em 1443 e publicado em 1446 pelo Rei Sejong, o Grande.
O Hangul (한글) ou Hangeul consiste de 10 vogais e 14 consoantes: estas podem ser combinadas de modo a formar numerosos agrupamentos silábicos. O significado de Hangul é a “escrita coreana”: Han 한 (Coreia) + gul 글 (escrita).
É simples, mas sistemático e abrangente, e é considerado um dos sistemas de escrita mais científicos do mundo. O Hangul é fácil de aprender e escrever, o que tem contribuído muito para a Coreia aumentar a taxa de alfabetização, e também deu ao país uma vantagem na era da informática.
Fonte: Korean.go.kr
Fonte: 알고 싶은 한글 Disponível em: <https://www.korean.go.kr/eng_hangeul/principle/001.html>.
A Coreia aderiu à Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em 1996 e deu um passo para se tornar um país economicamente avançado. No início do século XXI, a renda nacional bruta per capita da Coreia excedeu em muito à da maioria de seus vizinhos, com exceção do Japão e Taiwan (IM, 2022). Essas conquistas notáveis, no entanto, foram por vezes ofuscadas por dificuldades econômicas causadas tanto por fatores externos quanto internos, como a crise de 1997.
Essa crise, também chamada de crise monetária do sudeste asiático (REIS, 2019), foi uma sequência de desvalorizações monetárias e de outros eventos que começaram no verão de 1997 e se espalharam por muitos mercados asiáticos. Os mercados cambiais falharam primeiro na Tailândia como resultado da decisão do governo de não mais indexar a moeda local ao dólar americano (USD). O declínio da moeda se espalhou rapidamente pelo Leste Asiático, causando, por sua vez, o declínio da bolsa de valores e a redução das receitas de importação.
O problema foi exacerbado devido a empréstimos improdutivos em muitos bancos comerciais da Coreia. Em dezembro de 1997, o FMI havia aprovado um empréstimo de US$ 21 bilhões, que faria parte de um plano de resgate de US$ 58,4 bilhões (KOO; KISER, 2001). Em janeiro de 1998, o governo determinou o encerramento das atividades de um terço dos bancos comerciais da Coreia (KOO; KISER, 2001). Ao longo de 1998, a economia da Coreia continuaria a encolher trimestralmente a uma taxa média de 6,65% (KOO; KISER, 2001) e o chaebol sul-coreano Daewoo foi desmantelado pelo governo em 1999 devido a problemas de dívida.
Fonte: Arquivos de Hankookilbo (1998)
As ações do governo sul-coreano e as trocas de dívida por financiadores internacionais contiveram os problemas financeiros do país. Grande parte da recuperação da Coreia do Sul em relação à crise financeira asiática de 1997 pode ser atribuída a ajustes trabalhistas (isto é, um mercado de trabalho dinâmico e produtivo com taxas salariais flexíveis) e fontes alternativas de financiamento (KOO; KISER, 2001).
No primeiro trimestre de 1999, o crescimento do PIB havia subido para 5,4%, e o forte crescimento depois disso combinado com a pressão deflacionária sobre a moeda levou a um crescimento anual de 10,5%. Em dezembro de 1999, o presidente Kim Dae-jung declarou que a crise da moeda havia terminado (KOO; KISER, 2001).
Fontes:
REIS, T. Crise asiática de 1997: entenda como aconteceu a crise dos Tigres Asiáticos, 9 Março 2019. Disponivel em: <https://www.suno.com.br/artigos/crise-asiatica/>. Acesso em: jun. 2022.
KOO, Jahyeong; KISER, Sherry L. Recovery from a financial crisis: the case of South Korea. In: Internet Archive. Out. 2001. Disponível em: https://web.archive.org/web/20111108023544/http://findarticles.com/p/articles/mi_m0DKI/is_4_2001/ai_84799965/?tag=content%3Bcol1. Acesso em: dez. 2022
A economia coreana, que era baseada na agricultura até os anos 1960, perseguiu uma maior dinâmica industrial no pós-Guerra da Coreia. Diversos planos econômicos foram inaugurados em 1962 e orientaram o desenvolvimento da manufatura leve para a exportação (MASIERO, 2000). O auxílio econômico recebido naquela época essencialmente dos Estados Unidos (EUA) e, depois, do Japão foi relevante para o crescimento da economia do país.
Na década de 1970, foi empreendida uma maior industrialização no país, liderada pelos grandes conglomerados de propriedade familiar, as chaebols, levando a indústria coreana a produzir e exportar maquinários elétricos, automóveis, navios, produtos químicos ou semicondutores (MASIERO, 2000) em condições de alta competitividade no comércio internacional.
Fonte: The Hankyoreh (hani.co.kr)
A Coreia do Sul ficou conhecida no Ocidente como um dos Tigres Asiáticos, termo para designar as economias de alto crescimento entre 1960 e 1990 situadas na Ásia: Hong Kong, Cingapura, Coreia do Sul e Taiwan. Os quatro Tigres Asiáticos têm mantido consistentemente altos níveis de crescimento econômico desde os anos de 1960 e se juntaram coletivamente às fileiras das nações mais ricas do mundo. Hong Kong e Cingapura estão entre os mais proeminentes centros financeiros mundiais, enquanto a Coreia do Sul e Taiwan são centros essenciais para a fabricação global de automóveis e componentes eletrônicos, bem como de tecnologia da informação.
Essas economias experimentaram um crescimento excepcionalmente forte entre os anos 1950 e 1990. Em 1950, o PIB per capita, renda média anual da sociedade, variava de US$ 850 na Coreia do Sul a US$ 2.220 em Hong Kong e Cingapura. Em 1980, o PIB per capita havia quase triplicado nesses países e, em 2010, havia crescido para US$ 21.700 na Coreia do Sul e US$ 30.720 em Hong Kong (ECHAVARRIA; ARIAS, 2017). Para uma comparação, a renda média anual nos EUA era de US$ 9.560 em 1950, US$ 18.580 em 1980 e US$ 30.490 em 2010.
Fontes:
MASIERO, Gilmar. A Economia Coreana: Características Estruturais, 2000. 1-30. Rio de Janeiro, 5-6 out. 2000. In: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Disponível em: https://www4.pucsp.br/geap/artigos/art6.PDF. Acesso em: dez. 2022.
RETREPO ECHAVARRIA, Paulina; ARIAS, Maria A. Tigers, Tiger Cubs and Economic Growth. St. Louis, 25 maio 2017. In: Federal Reserve Bank of St. Louis. Disponível em: https://www.stlouisfed.org/on-the-economy/2017/may/tigers-tiger-cubs-economic-growth. Acesso em: dez. 2022.
S. Korean chaebols comprise 84% of GDP but only 10% of jobs. Disponível em: <https://english.hani.co.kr/arti/english_edition/e_business/949236.html>.
A Coreia do Sul tem um dos sistemas financeiros mais desenvolvidos do mundo, que passou por uma modernização notável desde a crise financeira asiática de 1997. Embora o surto da pandemia da Covid-19 tenha levado a uma queda econômica inicial em 2020, o sistema financeiro coreano provou ser estável e resistente durante esse período.
No centro do sistema financeiro do país está o Bank of Korea (Banco Central da Coreia), fundado em 1950 e emissor do won, a moeda sul-coreana. É uma das principais instituições financeiras do mundo e uns dos seus principais objetivos é controlar o PIB e a inflação no mercado coreano.
A partir de novembro de 2021, o índice de estabilidade financeira (FSI) da Coreia do Sul atingiu 5,1 pontos, mostrando um aumento em comparação aos meses anteriores. O valor do índice atingiu o nível mais alto em abril de 2020 e caiu em seguida. Embora o surto da pandemia Covid-19 tenha levado a uma queda econômica inicial em 2020, o sistema financeiro da Coreia do Sul, mostra ser consistente. Outro fator são os títulos negociados na bolsa de valores sul-coreana, que os investidores podem negociar vários instrumentos na bolsa, incluindo ações, títulos, ETFs e cotas (trusts) de investimento imobiliário (Reits).
A Bolsa de Valores da Coreia (KRX) é uma organização que fornece o ambiente para as empresas levantarem fundos por meio da emissão de títulos e os investidores revenderem seus papéis. Nela são operados o KOSPI e o KOSDAQ, mercados de negociação de ações. A KRX foi criada em 2005 com a fusão das três bolsas existentes: a Korea Stock Exchange (estabelecida em 1956), a KOSDAQ (estabelecida em 1996) e a Korea Futures Exchange. A KOSPI, por exemplo, concentra-se principalmente nas grandes empresas, ou blue chips.
O won coreano é a moeda nacional da Coreia. O código da moeda Won é KRW e o símbolo é ₩.
Fonte: kr.freepik.com
Já era a moeda antes de 1910, mas depois que o Japão anexou a península coreana à força o iene coreano serviu como moeda até o fim do período de dominação. Após a libertação nacional com o fim da Segunda Guerra Mundial, o won foi inicialmente fixado em 15 KRW por 1 USD e sofreu inúmeras desvalorizações após a Guerra da Coreia.
O material das moedas mudou várias vezes ao longo das décadas, indo de latão no início para alumínio e bronze. Quando foram introduzidas, as moedas de 1, 5, 10, 50 e 100 won eram feitas de cobre com núcleo de alumínio.
Em 2006, uma nota redesenhada de 5.000 won foi introduzida, e, em seguida, em 2007, saíram as novas edições das notas de 1.000 won e 10.000 won.
Fonte: BOK (Bank of Korea) – Figura impressa: Yulgok Yi I (1536-1584), filósofo, político e escritor coreanoFonte: BOK (Bank of Korea) – Figura impressa: Rei Sejong, o Grande (r. 1418-1450)
Em 2009, foi lançada a nota de 50.000 won, a nota em circulação que é a mais alta, apresentando recursos de segurança como marca d’água com um retrato e holograma 3D que muda de cor.
Fonte: BOK (Bank of Korea) – Figura impressa: Shin Saimdang (1504-1551), pintora e caligrafista (mãe do filósofo Yulgok Yi I)
Fontes:
TAVERA, Iran. A quick look at the modern history of Korea’s currency. Seul, 29 out. 2020. In: Korea.net. Disponível em: https://www.korea.net/NewsFocus/HonoraryReporters/view?articleId=191240. Acesso em: dez. 2022.
| Introduction to Banknotes | Currency in circulation | Currency | Bank of korea. Disponível em: <https://www.bok.or.kr/eng/main/contents.do?menuNo=400112>.